STF começa a interrogar Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe no dia 9 de junho


Audiências com os oito réus do “núcleo duro” da trama golpista de 2022 ocorrem em sequência

O Supremo Tribunal Federal (STF) começa a ouvir os oito investigados mais importantes da ação penal que apura a tentativa de golpe de Estado para impedir a posse de Lula e manter Jair Bolsonaro no poder na próxima segunda-feira (9) . O primeiro a depor será o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente e um dos delatores do caso. Bolsonaro será o sexto a ser interrogado.

Alexandre de Moraes está relatando o processo que pode, ao final, resultar na prisão de Jair Bolsonaro (Foto: Antonio Augusto/ TSE)

As audiências fazem parte da ação penal aberta com base em denúncia da Procuradoria-Geral da República, que acusa o grupo de planejar uma ruptura institucional após a derrota eleitoral em 2022. Os depoimentos ocorrem em Brasília, na sala da Primeira Turma do Supremo, com exceção do general Braga Netto, que será ouvido por videoconferência porque está preso preventivamente no Rio de Janeiro.

Além de Bolsonaro e Mauro Cid, também serão interrogados os ex-ministros Anderson Torres (Justiça), Augusto Heleno (GSI), Paulo Sérgio Nogueira (Defesa), Braga Netto (Casa Civil), o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier, e o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem. Todos são considerados parte do “núcleo executivo” do plano golpista, de acordo com o Ministério Público.

Segundo a denúncia da PGR, o grupo elaborou uma minuta de decreto que previa a instauração do estado de sítio e a convocação de novas eleições, além da prisão do ministro Alexandre de Moraes. O texto foi encontrado na casa de Anderson Torres e é apontado como peça central do plano para anular o resultado das urnas.

A investigação também mira articulações para usar as Forças Armadas na ruptura institucional. O general Augusto Heleno, por exemplo, teria feito reuniões para discutir a legalidade de uma “intervenção constitucional”. Já Braga Netto e Garnier teriam demonstrado disposição em aderir ao movimento golpista.

Os réus respondem por associação criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e outros crimes relacionados à depredação de patrimônio público, como os atos do 8 de janeiro.

Se as oitivas não forem concluídas na segunda, o Supremo já reservou os dias 10, 11, 12 e 13 de junho para continuar os interrogatórios. Depois disso, Moraes vai encerrar a fase de instrução do processo e abrir prazo para as alegações finais.

Essa é a reta final de um dos processos mais importantes da história recente do Brasil e pode levar à condenação do ex-presidente da República, o que eventualmente o levaria a prisão.

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