Ratinho Junior e outros governadores da oposição pressionam Lula por reação ao tarifaço de Trump


Encontro em Brasília também discutiu projeto de anistia e articulação no Congresso

Governadores de oposição se reuniram na última quinta-feira (7), em Brasília, para cobrar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) medidas mais firmes contra a tarifa de 50% imposta pelo governo Donald Trump sobre produtos brasileiros. A medida foi interpretada por eles como pressão política para que a Justiça brasileira encerre o processo criminal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aliado do norte-americano.

Governadores se mobilizam em Brasília para pressionar presidente Lula (Foto: Renato Alves/ Agência Brasil)

O encontro ocorreu na residência oficial do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Participaram Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Jorginho Mello (PL-SC), Ratinho Junior (PSD-PR), Cláudio Castro (PL-RJ), Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União-GO), Mauro Mendes (União-MT) e Wilson Lima (União-AM).

Tarcísio cobrou um plano de ação imediato. “Precisamos de cronogramas, prazos e medidas para mitigar o impacto. O Brasil não pode perder mercado por erro de condução nas relações internacionais”, disse.

Caiado criticou Lula por não ligar para Trump: “Se o presidente não quer conversar e prefere a crise, nós governadores queremos ampliar mercados”.

Mendes, que organizou a reunião, defendeu que Lula assuma “protagonismo” na negociação, embora tenha reconhecido que a tarifa norte-americana é equivocada.

Além do comércio exterior, os governadores discutiram a proposta de anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro. Caiado afirmou que, se eleito presidente, assinaria “anistia ampla, geral e irrestrita” para todos os envolvidos e para Bolsonaro. Tarcísio defendeu que o Congresso decida a questão sem pressão de outros Poderes, e o grupo anunciou que buscará líderes partidários para fortalecer a atuação das bancadas no Legislativo.

Mais cedo, Tarcísio visitou Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. O encontro fez parte da estratégia de articulação política em meio à crise provocada pelo tarifaço e pelo impasse da anistia no Congresso.

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