Vigilância e prisões aumentam em Sucre, Venezuela, após ataques dos EUA


Moradores relatam medo e repressão em meio a intensificação da segurança no estado remoto

Vigilância e prisões aumentam em Sucre, Venezuela, após ataques dos EUA
Aumento da vigilância em Sucre, Venezuela. Foto: Reuters

Moradores de Sucre, na Venezuela, relatam aumento da vigilância e prisões após ataques dos EUA no Caribe.

Vigilância e prisões em Sucre, Venezuela, após ataques dos EUA

A vigilância e prisões em Sucre, na Venezuela, aumentaram significativamente após os ataques dos EUA a barcos suspeitos de narcotráfico. Este estado remoto, que fica a apenas 11 km de Trinidad e Tobago, foi um dos mais afetados, com relatos de mais de 80 mortes. A presença das autoridades e de apoiadores do governo se intensificou, gerando um clima de medo entre os moradores.

As operações militares americanas, que visam desarticular cartéis de drogas, têm como alvo o regime de Nicolás Maduro, que nega qualquer conexão com o crime. No entanto, a resposta do governo venezuelano tem sido a intensificação da vigilância, especialmente em uma região que historicamente tem enfrentado o controle do tráfico de drogas.

Medo e repressão entre os moradores

Moradores de Sucre relataram que, logo após os ataques, familiares de vítimas foram visitados por agentes do Sebin (Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional) e da polícia. Eles foram advertidos a não comentarem sobre as mortes nas redes sociais e não receberam informações oficiais sobre as investigações. Esse clima de repressão gera ainda mais insegurança na região.

As patrulhas de segurança aumentaram, com a presença de agentes em motocicletas e viaturas, o que se intensificou após anúncios de exercícios militares dos EUA e Trinidad e Tobago. Os moradores notam que a maioria das patrulhas é composta por civis e policiais que atuam em conjunto, criando uma atmosfera de vigilância constante.

Impacto na economia local

A economia de Guiria, cidade litorânea na região, depende fortemente do contrabando marítimo e vive agora um período de estagnação, sem movimento significativo nas lojas. Um comerciante comentou que a única atividade recente está relacionada a bônus governamentais, e que, fora isso, não há dinheiro circulando.

Os moradores não conseguem mais realizar transações com Trinidad e Tobago, o que impacta diretamente suas fontes de renda. A presença de postos de controle também gera confusão, pois não é claro quem está no comando, aumentando o medo entre a população.

A resposta do governo e a vigilância do regime

O Ministério das Comunicações da Venezuela não se pronunciou sobre o aumento da vigilância em Sucre, mas o regime continua a afirmar que atua dentro da lei. Observadores internacionais, no entanto, destacam que as práticas de contraespionagem e vigilância são fundamentais para a manutenção do controle do governo sobre a população.

A Direção-Geral de Contraespionagem Militar (DGCIM), que já foi acusada de abusos, também participa das operações na região. O aumento na presença de agentes de segurança gerou desconfiança, uma vez que muitos moradores relatam a presença de indivíduos que não pertencem à comunidade, mas que atuam como agentes de inteligência do governo.

Os moradores de Sucre vivem sob um regime de medo e repressão, sem ter a garantia de informações sobre o que acontece em suas comunidades. A vigilância intensificada, somada à falta de liberdade de expressão, pinta um quadro sombrio da realidade local.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Reuters


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