Venezuelanos relatam abusos em prisão de El Salvador após deportação


Ex-prisioneiros descrevem tortura e condições desumanas em relato chocante

Venezuelanos relatam abusos em prisão de El Salvador após deportação
Imagem de protesto. Foto: AFP

Venezuelanos deportados relatam abusos físicos e psicológicos em prisão salvadorenha, incluindo tortura e falta de cuidados médicos.

Venezuelanos relatam abusos em prisão de El Salvador

Após a deportação de 252 imigrantes venezuelanos pela administração Trump, esses indivíduos foram enviados para o Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot) em El Salvador, onde relataram experiências horríveis de abuso físico e psicológico. Esses relatos, coletados por jornalistas e especialistas, levantam questões sérias sobre os direitos humanos e as condições de migração na América Latina.

Os ex-prisioneiros descreveram um ambiente de terror, onde foram tratados como terroristas sem qualquer devido processo legal. Edwin Meléndez, um dos deportados, recorda que os agentes de segurança os chamaram de “terroristas” e afirmaram que deviam ser tratados como tal. “Vocês são todos terroristas”, disseram os agentes, enquanto aplicavam punições severas e desumanas.

Os homens relataram terem sido algemados, espancados e submetidos a torturas físicas, como simulação de afogamento e a utilização de gás lacrimogêneo. As condições na prisão eram insuportáveis, com relatos de que os detentos eram mantidos em salas escuras e isoladas, chamadas de “ilha”, onde eram espancados e forçados a se ajoelhar por horas. Um dos prisioneiros, Luis Chacón, chega a mencionar que pensou em suicídio devido ao desespero.

Condições desumanas e tortura

Os depoimentos obtidos pelo New York Times revelaram que muitos dos deportados foram forçados a viver em condições desumanas, sem acesso a cuidados médicos adequados. Os prisioneiros foram obrigados a beber água de poços contaminados e foram negligenciados por profissionais de saúde que zombavam de suas queixas. Especialistas forenses que analisaram as provas afirmaram que os relatos eram consistentes e crédulos, indicando uma prática institucional de tortura.

As consequências dos abusos não se limitam ao sofrimento físico. Ex-prisioneiros relataram problemas de saúde mental persistentes, como pesadelos e insônia, que atribuem ao tratamento brutal que sofreram. Um dos deportados, Cedeño, um asmático, foi hospitalizado duas vezes desde sua libertação, uma vez após um ataque de asma que o deixou inconsciente.

Contexto político e deportações

A deportação dos venezuelanos foi parte de uma estratégia mais ampla do governo Trump, que acusou o regime de Nicolás Maduro de ser responsável por uma “invasão” dos Estados Unidos. O presidente Trump elogiou o governo salvadorenho por sua suposta eficiência em lidar com os imigrantes, enquanto, na realidade, os deportados enfrentavam tortura e abuso.

Os homens deportados foram rapidamente libertados em julho, após um acordo diplomático que incluiu a libertação de 10 americanos detidos na Venezuela. No entanto, a falta de uma lista clara de acusações contra os deportados levanta dúvidas sobre a legitimidade do processo. Pesquisas revelaram que apenas uma fração dos homens tinha antecedentes criminais significativos.

Conclusão

Os relatos de abuso entre os venezuelanos deportados não apenas revelam a brutalidade do sistema prisional salvadorenho, mas também expõem as falhas do tratamento de imigrantes na região. As condições em que esses homens foram mantidos e as violências que sofreram são um chamado urgente à comunidade internacional para que haja responsabilidade e uma revisão das políticas migratórias que desconsideram a dignidade humana. A situação dos ex-prisioneiros destaca a necessidade de um debate mais amplo sobre os direitos dos migrantes e as práticas de encarceramento na América Latina.

Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br


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