Movimento visa limitar o conceito de gênero a masculino e feminino, impactando discussões climáticas

Na COP30, Vaticano e Argentina tentam limitar gênero a masculino e feminino, afetando a inclusão de LGBTs.
Gênero na COP30: uma abordagem controversa
Na COP30, o debate sobre o conceito de gênero tem se intensificado, especialmente com a atuação do Vaticano e da Argentina. Estes países tentam limitar a definição de gênero a apenas masculino e feminino, excluindo assim a comunidade LGBTQIA+.
O contexto das negociações
A proposta surgiu nas reuniões preparatórias da COP30 na Alemanha e tem gerado controvérsias entre os negociadores. O conceito de gênero, que há décadas é utilizado nas conferências climáticas para destacar a vulnerabilidade de meninas e mulheres, agora enfrenta resistência de países como Argentina, Paraguai, Irã e Vaticano. A tentativa de limitar o gênero ao biológico é vista como uma estratégia para tumultuar as negociações.
O impacto nas políticas de gênero
A abordagem do Vaticano foi reforçada em 2022, quando este país se juntou à COP, destacando que referências a ‘gênero’ devem ser entendidas dentro de uma perspectiva biológica. Essa tentativa de definição pode obstruir o avanço do novo Plano de Ação de Gênero (GAP), que busca estabelecer diretrizes para financiar a adaptação das mulheres afetadas pelas mudanças climáticas.
Pressão de movimentos feministas
Movimentos feministas têm pressionado por uma agenda mais inclusiva, que considere a saúde sexual e reprodutiva e as necessidades de mulheres afrodescendentes. O Brasil, por exemplo, busca inserir o termo ‘mulheres afrodescendentes’ nas discussões. Vanessa Dolce de Faria, do Ministério das Relações Exteriores, ressalta que as mulheres, especialmente as indígenas e negras, são desproporcionalmente impactadas pelas mudanças climáticas.
Alianças e oposições
Embora países como o Brasil tentem avançar com uma agenda inclusiva, a resistência se mantém forte. O bloco de países africanos, por exemplo, tem dificuldades em aceitar o termo ‘afrodescendente’, o que impede a inclusão de garantias de reconhecimento e participação plena na conferência. Observadores destacam que a posição de países como Argentina e Paraguai, apoiados por nações como a União Europeia e Reino Unido, pode travar discussões essenciais sobre gênero.
O futuro das negociações
À medida que as negociações avançam, a pressão por uma abordagem mais holística e abrangente se intensifica. A alta representante para gênero no Brasil mantém um otimismo cauteloso, acreditando que o GAP será priorizado. Contudo, a resistência à inclusão de notas de rodapé sugere que o caminho para um consenso ainda será desafiador. A discussão sobre gênero também permeia outros temas da COP30, como a transição justa, destacando a necessidade de garantir que os benefícios das soluções climáticas alcancem as populações mais vulneráveis.
A COP30 se mostra, assim, um campo de batalha não apenas por políticas climáticas, mas também por direitos humanos e questões de gênero, refletindo tensões globais em um momento crítico para o futuro do planeta.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Governo Federal








