A usurpadora das formigas: como operárias eliminam a própria mãe


Estudo revela manipulação surpreendente entre espécies do gênero Lasius

A usurpadora das formigas: como operárias eliminam a própria mãe
A parasita (à esquerda) infiltra-se no ninho e se aproxima da rainha hospedeira (à direita). Foto: Taku Shimada/Universidade de Kyushu

Pesquisa revela que formigas operárias eliminam a própria mãe sob influência de uma rainha usurpadora.

A manipulação das formigas usurpadoras

A formiga usurpadora tem um comportamento intrigante, onde as operárias de uma colônia eliminam sua própria mãe, a rainha legítima. Essa dinâmica, observada em certas espécies do gênero Lasius, foi detalhada em um estudo liderado por Keizo Takasuka, da Universidade de Kyushu, publicado na revista Current Biology.

O ataque químico e suas consequências

As usurpadoras invadem o formigueiro de suas parentes e borrifam a rainha legítima com ácido fórmico, um veneno que confunde as operárias. Sob a ação dessa substância, elas se voltam contra sua mãe e a atacam, levando à sua morte. Essa manipulação química faz com que as operárias aceitem a usurpadora como sua nova rainha, mudando completamente a dinâmica da colônia.

Espécies envolvidas

O estudo identifica quatro espécies principais: L. orientalis e L. umbratus, que são as usurpadoras, e L. flavus e L. japonicus, que são as vítimas. As duas primeiras são consideradas parasitas sociais, uma classificação que também inclui outras espécies que manipulam seus hospedeiros, como os cucos. No entanto, o caso das formigas apresenta uma nova camada de complexidade ao mostrar filhas atacando a própria mãe.

Reconhecimento e camuflagem

As formigas se baseiam em odores para reconhecer membros de sua colônia. Antes de entrar no formigueiro, a rainha usurpadora mata algumas operárias da colônia invadida e esfrega seu corpo nelas, adquirindo um odor familiar que evita sua detecção. Essa estratégia de camuflagem é crucial para o sucesso do ataque.

A nova rainha

Após eliminar a rainha legítima, a usurpadora começa a botar seus ovos dentro do formigueiro, onde as operárias, agora desorientadas, passam a cuidar das larvas como se fossem suas. Com o tempo, a colônia é totalmente substituída pelas novas formigas geradas pela rainha invasora. Essa mudança drástica na população do formigueiro é um exemplo claro de como a manipulação social pode ocorrer em espécies de insetos.

Implicações para a biologia social

Os pesquisadores acreditam que esse comportamento pode não ser exclusivo das formigas do gênero Lasius. Takasuka sugere que outras espécies de formigas e até vespas sociais podem exibir formas semelhantes de matricídio. Essa descoberta abre novas possibilidades para o entendimento da biologia social e das interações complexas entre espécies.

Conclusão

A pesquisa sobre a formiga usurpadora revela um mundo fascinante e muitas vezes sombrio da vida social dos insetos. A manipulação química e o comportamento social complexo demonstram como a natureza é cheia de surpresas, desafiando nosso entendimento sobre as relações entre espécies. O estudo não apenas contribui para a biologia, mas também nos faz refletir sobre as interações sociais em um nível mais amplo, destacando a importância da pesquisa contínua nesse campo.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Taku Shimada/Universidade de Kyushu


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