Maria Helena Castro defende que IA pode substituir pré-testes na criação de questões

Ex-presidente do Inep sugere que inteligência artificial pode minimizar riscos no Enem.
A proposta de Maria Helena Castro sobre o Enem
A ex-presidente do Inep, Maria Helena Castro, sugere que a inteligência artificial no Enem poderia oferecer uma solução inovadora para a criação de questões, evitando os riscos associados aos pré-testes. Essa proposta surge em um contexto de crescente preocupação com a segurança do exame, especialmente após a recente anulação de três questões, que foram objeto de controvérsia entre estudantes e autoridades.
Os incidentes recentes, envolvendo um estudante que apresentou questões semelhantes às do exame, reacenderam o debate sobre a vulnerabilidade do Enem. Segundo Maria Helena, o pré-teste é essencial para calibrar a dificuldade das questões, mas também expõe o exame a riscos de vazamentos. A utilização de inteligência artificial poderia, segundo ela, mitigar esses riscos ao eliminar a necessidade dessa etapa.
O impacto da Teoria de Resposta ao Item (TRI)
Atualmente, as questões do Enem são desenvolvidas com base na Teoria de Resposta ao Item (TRI), que permite uma avaliação mais precisa das habilidades dos candidatos. Essa metodologia é fundamental para garantir que as questões sejam comparáveis entre diferentes provas e que as avaliações sejam justas. Contudo, Maria Helena alerta para os desafios dessa abordagem, destacando que o pré-teste envolve uma logística complexa e muitos participantes, aumentando as chances de quebra de sigilo.
A ex-presidente do Inep acredita que a IA poderia criar questões alinhadas com os padrões da TRI, eliminando a necessidade do pré-teste e, assim, reduzindo o risco de vazamentos. “Na minha visão, a questão do pré-teste é um risco muito grande para o Enem. Embora seja obrigatório, acredito que a inteligência artificial poderia ser a chave para um processo mais seguro”, afirma Maria Helena.
A segurança do Enem em debate
O debate sobre a segurança das provas do Enem não é novo. Em 2009, por exemplo, um vazamento em uma gráfica levou ao cancelamento da prova. Maria Helena reforça que a redução da exposição humana nas etapas de elaboração das questões é fundamental para aumentar a segurança do exame. A proposta de implementar a inteligência artificial deve ser vista como uma alternativa viável a médio e longo prazo, embora exija investimentos e pesquisas adequadas.
A ex-presidente também mencionou que a implementação dessa tecnologia não seria algo imediato, mas sim um processo que requer tempo e planejamento. “Não é algo que o Inep consiga fazer de um ano para o outro. É uma tarefa que demandará recursos e muita pesquisa”, ressaltou.
A resposta do Inep e a continuidade da investigação
Em resposta às preocupações sobre a segurança do exame, o Inep emitiu uma nota oficial reafirmando a validade das provas do Enem 2025. O instituto declarou que as semelhanças identificadas entre as questões apresentadas pelo estudante e as do exame eram pontuais e que, até o momento, não havia evidências de vazamento. A Polícia Federal foi acionada para investigar o caso e garantir a responsabilização de eventuais transgressões.
A discussão sobre o uso de inteligência artificial no Enem levanta questões importantes sobre inovação na educação e a necessidade de garantir a integridade dos processos de avaliação. O futuro do Enem pode muito bem depender da capacidade do sistema educacional de se adaptar às novas tecnologias, como a inteligência artificial, para melhorar a segurança e a eficácia das avaliações.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Agência Brasil








