Venda da última quadra residencial vazia da Asa Norte pode gerar mais de R$ 2 bilhões

Universidade de Brasília planeja leiloar a última quadra residencial vazia do Plano Piloto, área avaliada em mais de R$ 2 bilhões, para financiar orçamento.
A Universidade de Brasília (UnB) planeja para 2026 a venda de um patrimônio imobiliário avaliado em bilhões: a última quadra residencial 100% vazia do Plano Piloto, a SQN 207. Esta área, com cerca de 8.800 m², está situada no coração da Asa Norte, um dos bairros mais valorizados da capital federal, e poderá receber até 12 prédios residenciais com diferentes tipos de apartamentos.
Patrimônio valioso e foco na sustentabilidade financeira
O patrimônio imobiliário da UnB, formado desde sua fundação, visa garantir a independência financeira da instituição, que atualmente conta com aproximadamente 1.500 apartamentos para aluguel além de prédios comerciais. Essa estrutura permite à universidade cobrir cerca de 40% de seu orçamento anual. A venda da SQN 207 representa uma oportunidade para ampliar esses recursos, com previsão de movimentar valor superior a R$ 2 bilhões.
Segundo estudo fornecido pela construtora Paulo Octávio, essa quadra representa uma das últimas oportunidades residenciais no Plano Piloto, concentrando 12 dos 51 terrenos vagos no complexo urbanístico projetado por Lúcio Costa. Além dessa área, a UnB avalia ainda a possível venda de um terreno comercial de 28 mil m² localizado no Eixo Monumental, com potencial para usos múltiplos como hotéis, escritórios e comércio.
Detalhes do projeto e a disputa entre interesses
Para conduzir o projeto, a UnB contratou o BNDES por R$ 1,8 milhão, visando um estudo detalhado e criterioso que assegure maior retorno financeiro, evitando permutas desvantajosas. O banco subcontratou escritórios especializados – Demarest (advocacia), EY (auditoria) e KAAN (arquitetura) – para desenvolver o planejamento dos futuros edifícios.
O projeto arquitetônico prevê diversidade habitacional:
Apartamentos: Opções de 1 a 4 quartos, entre 45 m² e 120 m², buscando atender estudantes, jovens casais e famílias.
Prédios residenciais: Três tipos distintos, contemplando diferentes públicos e promovendo a diversidade social.
A proposta tenta inovar ao aplicar um conceito quase utópico de Brasília, integrando moradores de múltiplos perfis no mesmo espaço. No entanto, há tensão entre a UnB, que necessita de imóveis para aluguel e sustentabilidade, e as construtoras, que buscam características atraentes para vendas a compradores finais.
Processo de venda e próximos passos
A negociação prevista segue três etapas:
Oferta do lote: Divulgação e apresentação dos terrenos.
Estudo executivo: Definição de critérios, normas e exigências para construção.
- Leilão: Disputa entre construtoras para aquisição e edificação.
Fontes do mercado imobiliário indicam que de duas a três construtoras locais têm capacidade para participar efetivamente do leilão, caso o edital agrupe a totalidade ou grande parte dos terrenos. A situação do terreno comercial é mais complexa e está em reavaliação pela nova gestão da UnB, que estuda outras modalidades de pagamento, como reformas prediais.
Fatores legais e financeiros que impactam a venda
A atual reitora Rozana Naves destaca que uma lei recente desvinculou 30% das receitas patrimoniais da UnB para o Tesouro Nacional, reduzindo o montante financeiro que efetivamente retorna para a universidade. Isso motivou uma revisão do projeto para ajustar a viabilidade econômica e legal da operação.
Serviço e Transparência
A UnB mantém transparência na negociação e prioriza o diálogo com construtoras e o mercado imobiliário para garantir um processo justo e eficiente. A expectativa é que o leilão e a construção dos empreendimentos ocorra durante o ano de 2026, impulsionando o desenvolvimento urbano da Asa Norte e contribuindo para a sustentabilidade da universidade.
Acompanhe as atualizações sobre este importante movimento no mercado imobiliário de Brasília, que redefine o futuro do patrimônio da UnB e impacta diretamente o planejamento urbano da capital federal.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Pedro Ladeira/Folhapress








