Iniciativa busca reconhecer a importância cultural de figuras históricas ligadas ao movimento

Túmulo de Madame Satã pode ser o primeiro patrimônio LGBTQIA+ tombado pelo Iphan, reconhecendo sua importância cultural.
Túmulo de Madame Satã pode ser o primeiro patrimônio LGBTQIA+ tombado pelo Iphan
O túmulo de João Francisco dos Santos, conhecido como Madame Satã, pode se tornar o primeiro patrimônio LGBTQIA+ tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O corpo do artista, que marcou a boêmia da Lapa no século passado, está sepultado no cemitério da Vila do Abraão, na Ilha Grande, em Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio.
Importância do tombamento
O pedido de tombamento foi feito pelo pesquisador Baltazar de Almeida, que considera a iniciativa um passo importante para reduzir o apagamento histórico de figuras ligadas ao movimento no Brasil. Morador de Angra dos Reis, Baltazar descobriu a ligação de Madame Satã com o território enquanto desenvolvia um roteiro turístico. A proposta busca reconhecer a história de personalidades LGBTQIA+ e combater a homofobia.
Processo de tombamento
Para formalizar o pedido, Baltazar realizou uma ampla pesquisa sobre a vida e importância cultural de Madame Satã. O Iphan já iniciou os estudos técnicos no local, e uma primeira visita ao túmulo foi feita por técnicos do instituto. O processo de tombamento envolve várias etapas e pode durar até cinco anos, incluindo consulta pública e votação pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural.
Apoio da comunidade
Na internet, um abaixo-assinado já reúne mais de 800 assinaturas em apoio ao pedido de tombamento, refletindo a mobilização em torno da causa. Baltazar também protocolou um requerimento para que o Iphan crie um departamento específico para o tombamento de patrimônios ligados à causa LGBTQIA+, visando identificar e catalogar locais a serem tombados.
A figura de Madame Satã
João Francisco dos Santos nasceu em Pernambuco e, ao longo de sua vida, tornou-se uma figura emblemática da cultura carioca. Ele passou 27 anos e 8 meses preso, de forma intercalada, e, após sua liberação, adotou Ilha Grande como seu lar, onde se envolveu com a comunidade local e continuou a celebrar sua identidade.
Na memória dos moradores, a amizade e o legado de Madame Satã permanecem vivos, destacando a importância de contar essa história sob uma nova perspectiva.
Notícia feita com informações do portal: g1.globo.com








