Aumento nos preços da carne leva Trump a agir contra grandes frigoríficos

Trump pede investigação sobre frigoríficos como JBS e Cargill devido ao aumento dos preços da carne.
O presidente Donald Trump anunciou uma investigação sobre grandes frigoríficos, incluindo JBS, Cargill, Tyson Foods e National Beef, devido ao aumento significativo nos preços da carne nos Estados Unidos. A medida foi tomada após preocupações crescentes com a possibilidade de conluio entre essas empresas, que abatem cerca de 85% do gado do país. Em uma publicação nas redes sociais, Trump acusou as companhias de inflacionar artificialmente os preços, colocando em risco o abastecimento alimentar.
A investigação será conduzida pela divisão antitruste do Departamento de Justiça, que já está coletando informações sobre as práticas comerciais dessas empresas. A procuradora-geral Pam Bondi confirmou que o foco será avaliar se há práticas ilegais de fixação de preços. Os preços de varejo da carne bovina aumentaram significativamente nos últimos anos, mesmo com os pecuaristas recebendo menos por seu gado. Essa discrepância levantou preocupações sobre o controle de mercado exercido por essas grandes empresas.
Bill Bullard, CEO do Ranchers-Cattlemen Legal Action Fund, expressou otimismo com a investigação, afirmando que é essencial garantir que os pecuaristas recebam preços justos e competitivos. Contudo, as empresas investigadas não se pronunciaram sobre as acusações. O Meat Institute, grupo que representa a indústria, defendeu que as transações são transparentes e que os frigoríficos enfrentam dificuldades financeiras.
Em setembro, o preço da carne moída atingiu US$ 6,32, um aumento de mais de 11% em relação ao ano anterior. Analistas atribuem esse aumento à diminuição do rebanho bovino nos EUA, que está em níveis mais baixos desde a década de 1950. A abertura da investigação pode apaziguar críticos dentro do setor, que se tornaram mais céticos em relação ao governo de Trump, especialmente após sua guerra comercial que impactou negativamente os preços das safras.
Além disso, a história de tentativas fracassadas de atuação contra o domínio desses frigoríficos levanta questionamentos sobre a efetividade da investigação. Nos últimos anos, as empresas pagaram milhões de dólares para resolver processos relacionados a fixação de preços, mas raramente foram formalmente acusadas de irregularidades.
A procuradora-geral assistente Gail Slater, responsável pela divisão antitruste, afirmou que a agricultura é uma das indústrias que receberá atenção especial. Ela enfatizou a importância de proteger a concorrência em setores essenciais, como o alimentício. Entretanto, a capacidade da divisão antitruste de avançar com a investigação pode ser limitada, considerando as demissões recentes de membros da equipe que levantaram preocupações sobre influências externas.
A pressão sobre os frigoríficos deve aumentar à medida que a investigação avança, e os agricultores esperam resultados que possam garantir melhores condições de mercado. A indústria de carne enfrenta um momento crucial, e as ações do governo podem moldar o futuro do setor, que atualmente opera sob a sombra de um oligopólio. O desenrolar dessa investigação poderá ter repercussões significativas para a economia agrícola e para os consumidores em todo o país.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br








