Trump Media e Rumble processam Moraes nos EUA por suposta censura extraterritorial


Empresas alegam violação da Constituição americana por ordens do ministro do STF contra plataformas nos EUA

As empresas Trump Media & Technology Group e Rumble ingressaram com uma ação judicial nesta sexta-feira (6) contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na Justiça dos Estados Unidos. O processo, apresentado no Distrito Central da Flórida, acusa o magistrado de violar a Primeira Emenda da Constituição americana, ao supostamente emitir ordens de censura contra cidadãos e plataformas sediadas em território americano.

Imagem produzida com recursos de IA

A petição, com 62 páginas, sustenta que o ministro teria ultrapassado sua autoridade ao impor restrições baseadas em decisões do STF sobre conteúdo publicado nas redes. De acordo com as empresas, essas ordens incluiriam a suspensão de contas, bloqueio de conteúdos e até exigência de nomeação de representantes legais no Brasil — mesmo sendo plataformas com operação exclusivamente nos EUA.

“As chamadas ‘ordens de silêncio’ exigem que empresas americanas obedeçam decisões sigilosas do STF, sob ameaça de sanções, violando diretamente garantias constitucionais dos Estados Unidos”, aponta o texto. Ainda segundo a ação, o caso representa um teste inédito sobre os limites do poder judicial estrangeiro em território americano.

Pedidos feitos à Justiça americana
As empresas pedem que o tribunal:

  • Declare as ordens de Moraes inválidas nos EUA por infringirem a Primeira Emenda;

  • Emita uma liminar impedindo sua aplicação no país;

  • Proíba o ministro de pressionar empresas como Apple e Google a removerem aplicativos das lojas americanas;

  • Reconheça a responsabilidade pessoal de Moraes por eventuais danos comerciais e de imagem;

  • Conceda indenizações e outras reparações que o tribunal considerar cabíveis.

Inquérito das fake news é alvo de críticas
A ação também ataca o inquérito das fake news, instaurado em 2019 e conduzido por Moraes. Segundo as empresas, o inquérito é usado para “perseguir opositores políticos e silenciar vozes críticas”, incluindo jornalistas, parlamentares e influenciadores.

Entre os casos citados, está a recente investigação contra o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que atualmente vive nos EUA. A Trump Media sustenta que a medida busca intimidar adversários políticos do presidente Lula, mesmo quando atuam fora do Brasil.

Impactos sobre plataformas americanas
De acordo com a petição, a Rumble — responsável por hospedar a plataforma digital da Trump Media — vem sendo diretamente afetada pelas determinações do STF. As chamadas “ordens de silêncio” teriam exigido a suspensão de usuários, entrega de dados e até a interrupção de serviços no Brasil, prejudicando também a operação da TMTG.

“As ações do ministro visam empresas sediadas na Flórida, seus servidores, data centers e relações com usuários. Isso ultrapassa os limites da jurisdição internacional e representa um risco ao livre debate protegido por nossa Constituição”, afirma a ação.

Reação a decisões contra nomes conservadores
Além de Eduardo Bolsonaro, a ação menciona Paulo Figueiredo, Rodrigo Constantino e Ludmila Grilo como exemplos de brasileiros que teriam sido alvos de bloqueios ou investigações por criticarem o STF ou o governo. A Trump Media argumenta que mais de 140 contas teriam sido suspensas a partir de ordens do ministro, a maioria de pessoas ligadas à oposição.

“O caso evidencia um padrão de repressão política direcionado a indivíduos e plataformas nos Estados Unidos, o que fere diretamente os princípios de soberania e liberdade de expressão do país”, conclui o documento apresentado ao tribunal.

Feita com informações da CNN international

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