TRE-PR declara família Boca Aberta inelegível por oito anos após denúncia de candidatura fictícia


Pai, mãe e filho estão fora da disputa político-eleitoral até 2030, de acordo com a decisão

O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) decidiu, nesta quarta-feira (28), tornar inelegíveis por oito anos três integrantes da família Boca Aberta: o ex-deputado federal Emerson Petriv, a ex-deputada federal Mara Cristina Ribeiro e o ex-deputado estadual Matheus Vinícius Ribeiro Petriv, conhecido como Boca Aberta Júnior. A decisão é um duro golpe político para o clã, que vinha tentando se manter em evidência após mandatos legislativos consecutivos.

A família Boca Aberta está inelegível até 2030 após decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (Foto: Reprodução/ Redes Sociais)

O caso foi analisado em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) movida por João Bettega (União Brasil), vereador de Curitiba e candidato derrotado a deputado estadual em 2022. Na ação, Bettega acusou a família de abuso de poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação e gastos ilícitos durante a última eleição.

De acordo com o processo, a família teria utilizado recursos públicos, oriundos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), para promover uma candidatura “fictícia” de Boca Aberta ao Senado. Embora o ex-deputado federal não tenha formalizado a candidatura, sua imagem foi usada em larga escala na campanha de sua esposa, Mara Cristina, que disputava uma cadeira na Câmara. A estratégia, segundo a Justiça Eleitoral, configurou uma tentativa de burlar as regras do jogo eleitoral.

No voto que definiu o julgamento, o relator Luiz Osório Moraes Panza destacou que houve desvio claro de finalidade no uso de verba pública. Segundo ele, dos R$ 1,2 milhão recebidos por Mara Ribeiro, pelo menos R$ 322 mil foram gastos com materiais impressos e malas diretas que divulgavam exclusivamente a imagem de Boca Aberta como candidato ao Senado, mesmo sem ele estar oficialmente na disputa.

A decisão do TRE-PR ainda é passível de recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas, por enquanto, a família Boca Aberta está fora do jogo eleitoral até pelo menos 2030.

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