Adolescentes e seus responsáveis criticam restrições impostas pelo conselho médico

Adolescentes trans e familiares consideram decisão do CFM injusta. Estudo da USP revela impactos negativos da restrição.
Em 7 de novembro de 2025, jovens trans e seus familiares se manifestaram contra a proibição do tratamento hormonal imposta pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), vista como um ataque às suas identidades. A pesquisa da USP entrevistou 31 adolescentes transgêneros e 21 cuidadores, revelando que a medida gera sentimentos de desamparo e aumenta os riscos de automutilação e suicídio.
Pesquisa da USP revela impactos negativos
O estudo pré-print, ainda não publicado em revista científica, destaca que a resolução 2.427 do CFM, de abril deste ano, proíbe o bloqueio hormonal para mudança de gênero em crianças e adolescentes. Essa decisão, que altera a idade mínima para cirurgias de 18 para 21 anos, não obriga a interrupção de tratamentos já iniciados, mas impede novos procedimentos. Os participantes da pesquisa expressaram que a proibição os força a viver em corpos que não pertencem a eles, aumentando o sofrimento psicológico.
Críticas à decisão do CFM
Alexandre Saadeh, médico psiquiatra da USP, criticou a falta de consulta a especialistas para a elaboração da resolução. Ele afirmou que a proibição dificulta a realização de novas pesquisas na área. Além disso, os familiares dos adolescentes consideraram a medida um retrocesso. Para eles, o impacto psicológico da negação ao tratamento é muito mais significativo do que os riscos alegados pelo CFM.
Consequências sociais e profissionais
Os cuidadores também alertaram sobre os riscos de automedicação e a dificuldade de inserção no mercado de trabalho enfrentada por jovens trans. A aparência, segundo eles, influencia diretamente na empregabilidade, expondo essa população a discriminação e marginalização. O pediatra Pedro Magalhães Mendes destacou que as restrições impostas pela resolução aumentam o sofrimento psicológico dos adolescentes, devendo haver uma regulamentação mais participativa que considere suas demandas.
Contexto internacional
No cenário internacional, o Reino Unido proibiu em 2024 o uso de bloqueadores hormonais em crianças menores de 18 anos, exceto em ensaios clínicos. Pesquisadores britânicos estão conduzindo um estudo similar ao da USP para avaliar o impacto da medida nos jovens. O debate sobre acesso a cuidados de saúde adequados e respeitosos para a população trans continua a ser uma questão urgente e polêmica.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br








