Como a cantora de 86 anos transformou sua vida após um casamento abusivo

Dona Onete, aos 86 anos, redefine a música paraense após superar um casamento abusivo.
Dona Onete: ícone da música paraense que superou um passado difícil
Aos 86 anos, Dona Onete, uma das vozes mais marcantes da música do Pará, conquistou seu espaço no cenário cultural após uma vida repleta de desafios. Nascida em Cachoeira do Arari, no arquipélago do Marajó, ela só começou a fazer apresentações musicais profissionalmente depois dos 60 anos. Sua história é um exemplo de superação, especialmente ao se livrar de um casamento abusivo que durou 25 anos.
O início da jornada: da professora ao movimento sindical
Antes de se tornar a famosa cantora que é hoje, Dona Onete teve uma carreira como professora, lecionando disciplinas como Geografia e História. Seu envolvimento com o movimento sindical também foi significativo, onde participou ativamente da criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Em suas palavras, “Eu tive aonde me amparar: eu saí do meu casamento e entrei no movimento”, refletindo sobre como encontrou apoio em tempos difíceis.
A redescoberta da música e uma nova vida
Dona Onete começou sua carreira artística tardiamente, incentivada por seu segundo marido. Em uma entrevista, ela recorda que cantava sozinha em casa até ser convidada a se juntar a um grupo de carimbó. “Não queria aceitar, mas meu segundo marido disse: ‘Vai, pra você não ficar aí, idosa, deitada em uma rede, doente’”, conta. Essa decisão transformou sua vida, e logo ela se destacou no cenário musical, criando um estilo único que chamou de ‘carimbó chamegado’.
Impacto cultural e reconhecimento
Seu primeiro álbum, “Feitiço Caboclo”, lançado em 2012, quando tinha 73 anos, chamou a atenção de críticos e do público. Dona Onete rapidamente se tornou um símbolo da música paraense, apresentando-se em diversos países e colaborando com artistas renomados. Suas canções, que celebram a cultura amazônica, são um reflexo de sua vivência e do amor pela terra natal.
Reflexões sobre a vida e a carreira
Apesar das dificuldades, Dona Onete mantém um espírito alegre e persistente. Em suas entrevistas, ela frequentemente destaca a importância do conhecimento e da coragem. “Eu sou dona da minha história. Eu caminhei pelo caminho errado, mas depois eu me achei no caminho certo”, diz. Essa frase encapsula sua trajetória de vida, marcada por desafios e conquistas.
O legado de Dona Onete
Dona Onete continua a fazer shows, mesmo que com menos frequência, e se recusa a deixar que limitações físicas a impeçam de cantar. Seu legado vai além da música; ela é uma fonte de inspiração para muitas mulheres e uma prova de que nunca é tarde para recomeçar. Com sua história, ela não apenas mudou a música do Pará, mas também deixou uma marca indelével na vida de todos que a conhecem.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Divulgação








