Tráfico se expande para além das drogas e intensifica sua violência


Facções e milícias adotam novas práticas de exploração territorial no Rio de Janeiro

Tráfico se expande para além das drogas e intensifica sua violência
Policial em área dominada pelo tráfico no Rio de Janeiro. Foto: Folhapress

Tráfico de drogas no Rio de Janeiro se diversifica e impõe taxas sobre diversos serviços aos moradores.

Tráfico de drogas se expande com novas práticas no Rio de Janeiro

O tráfico de drogas no Rio de Janeiro evolui e agora adota práticas que vão além da simples comercialização de entorpecentes. Recentemente, facções criminosas e milícias começaram a explorar o território de maneira mais agressiva, impondo taxas de segurança e cobrando impostos não oficiais sobre diversos serviços, como vendas de imóveis e fornecimento de gás.

Um promotor do Rio, Fábio Correa, afirma que as facções agora realizam atividades similares às milícias, oprimindo as comunidades e estabelecendo um controle territorial que se assemelha ao de uma empresa. Enquanto a venda de drogas continua a ser uma parte do negócio, apenas 15% das receitas dessas organizações vêm desse comércio, com o restante advindo de práticas como extorsão e monopólio de serviços.

A imposição de taxas como forma de domínio

Moradores de comunidades como Manguinhos e Mandela relataram que são obrigados a pagar até R$ 2.000 mensais por segurança, sob pena de represálias. Essa prática de extorsão se espalhou, e muitas vezes as taxas cobradas se assemelham a impostos municipais, como o ITBI, o Imposto de Transmissão de Bens Imóveis. A coleta de taxas se tornou uma norma, com relatos de moradores que, ao tentar vender suas propriedades, também enfrentam a exigência de repasse de uma porcentagem do valor da venda ao tráfico.

Além disso, o controle sobre serviços essenciais, como transporte e gás, se intensificou. Mototaxistas, por exemplo, pagam taxas mensais aos traficantes para operar sem concorrência, o que resulta em tarifas mais altas para os moradores. O fornecimento de gás também é controlado, com preços que superam os praticados fora das comunidades.

O impacto da violência e das operações policiais

A violência associada a essa luta pelo controle territorial tem gerado um número alarmante de mortes. Somente em 2023 e 2024, a guerra entre facções resultou em pelo menos 684 mortes, incluindo crianças. A situação é ainda mais grave com a recente operação policial que deixou 121 mortos, evidenciando a brutalidade do conflito.

A Polícia Civil aponta que a exploração territorial pelas facções se intensificou após decisões judiciais que facilitaram a atuação das mesmas. No entanto, especialistas questionam a relação entre as mudanças legais e o aumento da violência, sugerindo que as facções já estavam se adaptando a um novo cenário.

A nova dinâmica do crime organizado

O tráfico de drogas no Rio de Janeiro se tornou uma verdadeira corporação, onde a violência e a exploração financeira são a norma. A transição de milicianos para civis armados nas facções complicou ainda mais a situação, dificultando a distinção entre os dois grupos. Agora, tanto traficantes quanto milicianos utilizam métodos similares para oprimir as comunidades.

Os relatos de moradores ilustram a gravidade da situação. Muitos afirmam que, para operar seus negócios, são forçados a pagar taxas exorbitantes, o que compromete sua renda e segurança. A exploração do território pelas facções e milícias reflete uma nova era de criminalidade no Rio, onde a luta por poder é cada vez mais baseada em práticas empresariais.

Conclusão

O tráfico de drogas no Rio de Janeiro, ao expandir suas atividades, não apenas intensifica a violência, mas também transforma as comunidades em áreas de exploração sistemática. Com uma estrutura que imita práticas comerciais legítimas, as facções estabelecem um controle que parece inabalável, enquanto os moradores continuam a viver sob a sombra do medo e da coerção. O futuro dessas comunidades depende de uma resposta eficaz das autoridades, que ainda se mostram desafiadas frente a essa nova realidade.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Folhapress


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