Montagem teatral se destaca pela luta contra homofobia e patriarcado

A peça Tom na Fazenda, com Armando Babaioff, completa nove anos como um ato de resistência cultural no Brasil, abordando temas como homofobia e patriarcado.
A peça “Tom na Fazenda”, do canadense Michel Marc Bouchard, tornou-se um fenômeno duradouro no teatro brasileiro ao completar nove anos em cartaz. Com tradução e atuação de Armando Babaioff e direção de Rodrigo Portella, a montagem segue em cartaz desde a sua estreia em 2017, um feito raro que a equipe considera seu “maior gesto político”. Essa longevidade atua como um ato de resistência em um cenário cultural hostil, dando voz a verdades urgentes em um país com altos índices de violência contra a população LGBTQIA+.
A longevidade e o impacto social
O sucesso é evidenciado pela demanda do público, com temporadas esgotadas em São Paulo e uma turnê programada até 2026. A estratégia de internacionalização, com uma bem-sucedida participação no Festival d’Avignon em 2022, trouxe estabilidade financeira e garantiu a continuidade do projeto no Brasil. A trama acompanha Tom, um publicitário que viaja para o funeral de seu companheiro em uma fazenda isolada, onde enfrenta a homofobia e a repressão familiar.
Abordagem inovadora e crítica
A montagem se destaca pela abordagem visceral de Portella, que opta por um final diferente do filme de Xavier Dolan. A cenografia, marcada pela presença da lama, simboliza a contaminação moral de Tom. A peça evita a demonização fácil de Francis, o irmão da vítima, mostrando-o como um produto da repressão patriarcal e revelando uma dinâmica de violência e cumplicidade.
Reconhecimento e prêmios
“Tom na Fazenda” ressoa profundamente com a realidade brasileira, tornando-se um veículo para discutir machismo, homofobia e patriarcado. Aclamada com prêmios do teatro nacional e internacional, a produção também quebrou recordes de público em Paris, provando que o teatro brasileiro possui uma assinatura estética potente, capaz de ecoar globalmente. Desde sua estreia, a peça não apenas entreteve, mas também provocou reflexões essenciais sobre a sociedade contemporânea.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br








