Servidores do IBGE denunciam exoneração por retaliação contra críticas


A exoneração de uma servidora após críticas à transferência do acervo gera polêmica entre os servidores do instituto

Servidores do IBGE denunciam exoneração por retaliação contra críticas
Painel S.A.

Servidores do IBGE denunciam exoneração de colega como retaliação após críticas a nova localização do acervo.

Exoneração de servidora gera polêmica entre servidores do IBGE

Servidores do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) manifestaram preocupação com a gestão de Marcio Pochmann, especialmente após a exoneração da servidora Catarina Félix dos Santos Soares. A exoneração, segundo o manifesto dos servidores, ocorreu em retaliação a críticas sobre a transferência do acervo do instituto para um local considerado inadequado.

A mudança, que ocorreu em abril do ano passado, transferiu a biblioteca do IBGE do CDDI (Centro de Documentação e Disseminação de Informações), localizado no Complexo Canabarro, no Bairro do Maracanã, para o Palácio da Fazenda, no centro do Rio de Janeiro. Os servidores afirmam que, enquanto o custo anual estimado para o aluguel era de R$ 236.868,40, o instituto já gastou mais de R$ 1 milhão em apenas 19 meses.

Críticas sobre a nova localização do acervo

Além do aumento de gastos, um laudo técnico elaborado pela área de Engenharia do IBGE alertou para a inadequação do novo espaço, afirmando que as estruturas não suportam a carga do acervo. O documento, que foi mencionado pelos servidores, recomenda que o espaço seja vedado para esse uso.

Embora a gestão Pochmann tenha afirmado que o IBGE não paga aluguel, mas sim condomínio, o descontentamento entre os servidores cresceu. A titular da Gerência de Biblioteca, Informação e Memória (Gebim), Catarina Soares, apresentou um ofício solicitando esclarecimentos técnicos sobre a nova proposta de transferência do acervo para o Complexo de Parada de Lucas, que está desativado e sem infraestrutura adequada.

Retaliação e intimidação na gestão atual

A exoneração de Catarina Soares, ocorrida em 11 de novembro, foi interpretada pelos servidores como um ato retaliatório. O manifesto destaca que essa ação não é isolada, mas parte de um padrão de decisões que buscam silenciar a equipe técnica e intimidações que comprometem a preservação do patrimônio público.

“Os servidores da Gebim compreendem que a exoneração da servidora não configura um simples ato de gestão, mas um ato claramente retaliatório e intimidatório”, afirmam. Essa situação evidencia um clima de tensão e desconfiança entre a administração do IBGE e seus servidores.

Resposta da gestão Pochmann

Em resposta às acusações, a gestão Pochmann alegou que as denúncias carecem de provas e que estão sendo disseminadas sem assinatura. A nota também menciona que, desde 2018, o acervo do instituto está fechado e em situação de abandono. Com 90 anos de história, o IBGE planeja abrir parte do acervo em 2026, e a gestão busca espaços temporários para preservar o patrimônio.

O instituto defende que a criação da Casa Brasil IBGE, inaugurada em maio de 2024, é um passo positivo para a valorização do acervo, prometendo um espaço adequado para exposições. Contudo, a controvérsia sobre a exoneração e a gestão do acervo ainda gera discussões acaloradas entre os funcionários do IBGE e sua administração.

Fonte: www1.folha.uol.com.br


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