Saúde mental e racismo: uma reflexão necessária na prática clínica


Psicóloga Jeane Tavares discute a importância de abordagens adaptadas ao contexto brasileiro e a luta contra o racismo.

Saúde mental e racismo: uma reflexão necessária na prática clínica
Psicóloga Jeane Tavares enfatiza a necessidade de uma abordagem antirracista na saúde mental. Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress

Jeane Tavares fala sobre a luta contra o racismo e a importância da saúde mental adaptada ao contexto brasileiro.

A prática clínica e o racismo no Brasil

A prática clínica, segundo a psicóloga Jeane Tavares, deve ser encarada como uma forma de redução de danos enquanto houver racismo na sociedade. A profissional, que atua na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, destaca que a saúde mental no Brasil não pode ser dissociada das questões raciais. Com um cenário em que a população negra representa 56% do total, conforme o Censo Demográfico de 2022, é crucial que as abordagens psicológicas sejam adaptadas ao contexto social e cultural desses indivíduos.

A importância da Raps e das políticas de saúde

Tavares argumenta que o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) é uma necessidade urgente. A psicóloga critica as barreiras de acesso aos serviços de saúde mental, que muitas vezes não funcionam em horários acessíveis para aqueles que dependem do trabalho para sua subsistência. Além disso, a localização dos serviços de saúde pode dificultar o deslocamento das pessoas que mais precisam de atendimento.

Desigualdade no sistema de saúde

A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra foi criada em 2017 para combater as desigualdades enfrentadas pela população negra no Brasil. Tavares aponta que, apesar dessa iniciativa, a política é frequentemente negligenciada. Ela enfatiza que a estrutura do sistema de saúde falha em atender adequadamente essa população, levando a um ciclo de descaso e dificuldade no acesso a serviços de saúde mental.

A necessidade de uma abordagem racializada

A psicóloga defende que as abordagens psicológicas devem considerar a raça e o racismo presentes na vida dos pacientes. Ignorar esses fatores pode resultar em diagnósticos inadequados e um atendimento técnico equivocado. Para que a Raps funcione eficazmente, é essencial que os profissionais sejam bem treinados e que as condições de trabalho sejam adequadas.

Construindo novas abordagens psicológicas

Tavares acredita que é possível desenvolver abordagens brasileiras que respeitem a história e a cultura do país. Ela sugere a importância de racializar as práticas tradicionais da psicologia, que muitas vezes têm origem europeia ou estadunidense. Essa adaptação é fundamental para que os atendimentos sejam mais efetivos e atendam às necessidades reais da população.

Conclusão

A luta contra o racismo e a promoção da saúde mental são interligadas e devem ser abordadas de maneira conjunta. Jeane Tavares sublinha a relevância de um esforço coletivo e político para transformar a prática clínica em um espaço que realmente atenda às necessidades da população negra no Brasil. Ao reconhecer as desigualdades e adaptar as abordagens, é possível avançar em direção a um sistema de saúde mais justo e inclusivo.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Eduardo Anizelli/Folhapress


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