Uma análise crítica sobre o apetite por títulos isentos

Investidores estão aceitando prêmios baixos por isenção fiscal, mas o risco de crédito permanece.
A isenção fiscal tem seduzido investidores a aceitarem prêmios historicamente baixos em títulos de crédito privado, ignorando os riscos associados. O índice Idex Infra Core revela que o spread médio entre taxas de títulos corporativos e títulos públicos está em -0,51%, indicando que investidores estão emprestando a empresas a uma taxa inferior à do governo federal. Essa situação ocorre em meio a uma demanda crescente por títulos isentos, antes da possível tributação a partir de 2025.
O raciocínio parece lógico, já que a isenção propõe uma vantagem que pode variar de 1,5% a 2% ao ano. Contudo, a isenção fiscal tornou-se o único critério de decisão para muitos, distorcendo a percepção de risco. Em cenários de estresse financeiro, os spreads podem aumentar novamente, prejudicando investidores que esperam lucros com a queda dos juros em títulos públicos. A análise de crédito é fundamental, pois a isenção não garante lucro nem impede perdas.
As incertezas do crédito privado, especialmente em infraestrutura, tornam-se evidentes quando os prêmios pelo risco são baixos ou negativos. Nessa situação, a margem de segurança desaparece, e o investidor corre o risco de ser pego de surpresa quando a realidade do mercado se impõe. Portanto, a ilusão da vantagem tributária não deve ofuscar a necessidade de uma análise crítica e cuidadosa dos investimentos.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br








