Reflexões sobre a morte assistida marcam evento com Leandro Karnal


Filósofo discute a necessidade de um debate aberto sobre a eutanásia e o direito a uma morte digna

Reflexões sobre a morte assistida marcam evento com Leandro Karnal
Evento discute morte assistida e direitos humanos. Foto: Divulgação Academia Paulista de Letras

Leandro Karnal e especialistas debatem eutanásia e o direito à morte digna em evento na Academia Paulista de Letras.

Reflexões sobre a morte assistida e direitos humanos

Neste 18 de outubro, na Academia Paulista de Letras, ocorreu o evento “Viver e Morrer com Liberdade”, onde o filósofo Leandro Karnal e outros especialistas debateram a morte assistida e a eutanásia, temas que geram controvérsia no Brasil. O encontro foi inspirado pela morte assistida do escritor Antonio Cicero, que ocorreu no ano passado, e trouxe à tona a necessidade de discutir a dignidade na morte.

Karnal, junto com médicos, juristas e filósofos, enfatizou a importância de permitir que as pessoas tenham a escolha sobre o fim de suas vidas. “Quero viver enquanto houver vida”, declarou o filósofo, ressaltando que a busca pela imortalidade sem qualidade de vida é um conceito problemático. Ele argumentou que a sociedade brasileira, marcada por crenças religiosas, ainda vê a morte como um tabu.

A legislação atual e suas implicações

Atualmente, a legislação brasileira não permite a morte assistida nem a eutanásia, permitindo apenas a ortotanásia, que é a suspensão de tratamentos que apenas prolongam a vida de um paciente sem cura. Antonio Penteado Mendonça, advogado e presidente da APL, questionou se o direito à morte deve ser do Estado ou do indivíduo, considerando que a legislação atual é hypocrita ao não permitir a escolha. Mendonça também mencionou o impacto econômico que a prolongação da vida pode ter, especialmente em um país com um crescente número de idosos.

A preparação dos médicos para lidar com a morte

Durante o evento, Raul Cutait, cirurgião oncológico, destacou que muitos médicos são treinados para lutar pela vida, mas não para reconhecer quando é hora de permitir a morte. Ele afirmou que é necessário entender quando o quadro clínico é irreversível e quando a qualidade de vida não pode mais ser mantida. Outros especialistas, como Daniel Barros e Oren Smaletz, concordaram que a formação médica atual não prepara adequadamente os profissionais para o final da vida, o que pode gerar sofrimento tanto para os pacientes quanto para suas famílias.

O papel da sociedade na discussão sobre a morte

Karnal e os demais palestrantes destacaram que a sociedade deve reavaliar sua percepção sobre a morte e a dignidade no processo de morrer. A medicalização da morte, que a afastou do convívio social e a tornou um assunto evitado, precisa ser confrontada. O filósofo lembrou que, historicamente, a morte era uma parte aceita da vida, cercada de rituais e respeito.

A discussão sobre a morte assistida não é apenas uma questão de legislação, mas uma reflexão profunda sobre como a sociedade valoriza a vida e a morte. O evento na Academia Paulista de Letras foi um passo importante para trazer à luz essas questões, e os especialistas presentes deixaram claro que o debate deve continuar, buscando um entendimento mais humano e empático sobre o fim da vida.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Divulgação Academia Paulista de Letras


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