Redução do consumo de cigarro pode evitar 139 mil mortes no Brasil em 10 anos


Estudo revela impacto positivo de políticas de aumento de preços e controle do tabagismo

Redução do consumo de cigarro pode evitar 139 mil mortes no Brasil em 10 anos
A fumaça que carrega substâncias como a nicotina e metais pesados pode causar diversas doenças, incluindo o câncer. Foto: CottonBro Studios/Pexels

Um estudo aponta que a redução de 30% no consumo de cigarro no Brasil poderia evitar 139 mil mortes ao longo de dez anos.

Impacto da redução no consumo de cigarro no Brasil

Uma redução de 30% no consumo de cigarros no Brasil poderia evitar 139 mil mortes relacionadas ao tabaco em dez anos e gerar uma economia de mais de R$ 170 bilhões. Este dado alarmante foi revelado por um estudo divulgado no Dia Nacional de Combate ao Câncer, realizado pelo Instituto de Efectividad Clínica y Sanitaria (IECS), da Argentina, a pedido da ACT Promoção da Saúde. O tabagismo é responsável por 25% das mortes globais por câncer, enfatizando a urgência de medidas eficazes para controlar o uso do tabaco.

Políticas de preço e tributação

O estudo aponta que a implementação de uma política tributária mais rígida pode ser uma estratégia crucial para frear o avanço do tabagismo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Banco Mundial concordam que manter os preços elevados e reajustados regularmente é uma abordagem custo-efetiva para reduzir o consumo de produtos nocivos. Em 2023, o preço mínimo do cigarro subiu de R$ 5,00 para R$ 6,50, ainda muito aquém do ideal, que deveria ser de R$ 11,88 conforme a inflação acumulada e o aumento da renda per capita.

Consequências da defasagem no preço do cigarro

A defasagem nos preços contribui para um barateamento real do cigarro, tornando-o um dos mais acessíveis do mundo. Isso reflete um aumento na prevalência de fumantes, conforme identificado pelo Vigitel 2024. Mariana Pinho, coordenadora do projeto de controle do tabaco da ACT Promoção de Saúde, ressalta que os impostos sobre o cigarro devem ser suficientemente altos para desencorajar o consumo e impactar a saúde pública positivamente.

Iniciativas para promover a conscientização

Em resposta à necessidade de medidas mais robustas, a ACT e a Vital Strategies lançaram a campanha “O Barato que Sai Caro”, que busca pressionar por políticas de atualização anual do preço mínimo do cigarro e aumento dos impostos específicos. Essa discussão surge em meio à reforma tributária que inclui os produtos de tabaco no novo imposto seletivo, criado para desestimular itens prejudiciais à saúde. Uma pesquisa do Datafolha indica que 74% da população apoia reajustes anuais no preço do cigarro.

Dados alarmantes sobre o tabagismo no Brasil

Atualmente, 9,3% dos adultos brasileiros fumam, resultando em 486 mortes diárias, ou 177 mil por ano, representando 11,3% de todos os óbitos entre pessoas acima de 35 anos. Somente em 2025, o Brasil deve registrar 1,68 milhão de casos atribuíveis ao tabaco, incluindo diversas doenças graves. O prejuízo econômico é igualmente alarmante, com perdas anuais de R$ 160 bilhões, correspondendo a 1,36% do PIB, e a arrecadação tributária com a venda de cigarros cobre apenas 5,2% das perdas geradas pelo tabagismo.

Conclusão

O estudo do IECS revela que uma redução de 30% no consumo de cigarro ao longo de dez anos poderia evitar 139.154 mortes, além de diversos eventos cardiovasculares e novos casos de câncer. As medidas fiscais não apenas visam a arrecadação, mas têm um papel crucial na prevenção de doenças e na proteção da saúde pública, especialmente entre jovens e populações vulneráveis. O impacto do tabagismo sobre a mortalidade e a qualidade de vida é devastador, resultando em uma perda anual de mais de 5,8 milhões de anos de vida devido a mortes prematuras e incapacidades relacionadas ao cigarro.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: CottonBro Studios/Pexels


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