Decisão judicial considera violência obstétrica após uso de técnica desaconselhada

Gestante recebeu R$ 10 mil após fraturas em costelas durante parto na Rede D'Or.
Em São Caetano, SP, a gestante Fabiana, 40, foi condenada a indenizar por fraturas em três costelas durante o parto, ocorrido em abril do ano passado. A Justiça reconheceu que a Rede D’Or falhou na prestação de serviços, resultando em graves consequências para a paciente.
O que ocorreu no parto
Fabiana relatou que, durante o procedimento, ouviu um estalo e posteriormente começou a sentir dores intensas. Uma tomografia, realizada uma semana depois, confirmou as fraturas. Ao revisar a filmagem da cesariana, descobriu que a equipe médica utilizou a manobra de Kristeller, uma prática desaconselhada pela Organização Mundial da Saúde devido aos riscos associados.
Decisão judicial
O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que a Rede D’Or pagasse R$ 10 mil à paciente. O desembargador Ademir de Souza afirmou que ficou evidenciada a falha nos cuidados, destacando que a manobra não foi registrada nos prontuários e que a paciente não foi informada sobre sua utilização. “Isso denota a normalização da violência obstétrica”, comentou o advogado da gestante, Caio Fornari.
Defesa da Rede D’Or
Em sua defesa, o hospital argumentou que não houve intercorrências durante o parto e que o intervalo entre o parto e a identificação das fraturas poderia indicar que não eram causadas pela manobra. No entanto, um laudo pericial contradisse essa afirmação, estabelecendo claramente o nexo de causalidade entre a manobra e as fraturas.
Para preservar a identidade da gestante, apenas o primeiro nome foi publicado nesta reportagem.
Notícia feita com informações do portal: redir.folha.com.br








