Ativistas denunciam riscos e lutam por justiça ambiental no contexto da COP30

Moradores de Perus lutam contra incinerador de lixo em meio a discussão sobre racismo ambiental na COP30.
Racismo ambiental e a luta por justiça em Perus
Neste contexto da COP30, moradores de Perus, na periferia de São Paulo, se mobilizam contra a construção de um incinerador de lixo. Este projeto, nomeado URE (Unidade de Recuperação Energética Bandeirantes), é apresentado como uma solução moderna para o descarte de resíduos, mas enfrenta críticas por seus potenciais impactos negativos na saúde e no meio ambiente. A proposta está em fase de aprovação na CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo).
A história de resistência de Perus
A luta de Perus contra soluções inadequadas para o lixo não é nova. Desde 2001, quando um grupo de ativistas protestou contra um aterro sanitário, a comunidade tem se mobilizado para garantir um ambiente saudável. O movimento atual é uma continuação dessa resistência histórica, que inclui protestos contra a falta de filtros em indústrias locais e a desativação do lixão em 2007, após anos de degradação ambiental.
Impactos da incineração
Especialistas alertam que a incineração de resíduos pode liberar poluentes tóxicos no ar, causando problemas de saúde como asma, bronquite e doenças respiratórias. A química e moradora Thaís Santos destaca que substâncias como mercúrio e dioxinas são especialmente perigosas, pois se acumulam no corpo humano e podem levar a doenças graves, incluindo câncer. Além disso, a fauna e a flora da região estão ameaçadas, considerando que Perus abriga um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica de São Paulo.
Racismo ambiental em foco
O conceito de racismo ambiental se refere à desproporcionalidade dos impactos ambientais enfrentados por populações negras, indígenas e quilombolas. A situação em Perus exemplifica essa realidade, onde a expectativa de vida é significativamente menor do que em áreas mais privilegiadas da cidade. A luta pela justiça ambiental é, portanto, uma luta por dignidade e direitos humanos.
O papel da COP30 e a mobilização popular
Enquanto o Brasil se prepara para a COP30, a contradição entre o discurso de sustentabilidade e as ações da Prefeitura de São Paulo se torna evidente. Ativistas como Thaís Santos enfatizam que as políticas públicas devem ser baseadas na participação cidadã para que os compromissos globais sejam verdadeiramente refletidos nas comunidades mais afetadas. No Dia da Consciência Negra, a mensagem é clara: é preciso cuidar da terra e lutar por um futuro mais justo.
A luta em Perus não é apenas contra um incinerador, mas por um modelo de desenvolvimento que respeite e valorize a vida das pessoas e do meio ambiente. Os moradores reafirmam sua determinação em continuar a luta, inspirados pela história de resistência e pela necessidade de garantir um futuro saudável para todos.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Governo Federal








