Na COP30, países menos desenvolvidos exigem financiamento adequado para se adaptar aos impactos da mudança climática.

Países menos desenvolvidos pedem mais recursos na COP30 para adaptação climática, citando déficit de R$ 1,8 trilhão.
Protestos dos países menos desenvolvidos na COP30
Os países mais pobres do mundo estão utilizando a COP30 como um palco para chamar a atenção sobre a necessidade urgente de financiamento para adaptação climática. Na terça-feira (18), em Belém, negociadores do bloco dos Países Menos Desenvolvidos (LDC) destacaram que, sem recursos, as discussões em andamento são meramente simbólicas. Com um déficit crescente, eles afirmam que a lacuna financeira para adaptação climática chega a R$ 1,8 trilhão, segundo um relatório da ONU.
Déficit financeiro alarmante
“Segundo o último relatório do Pnuma, a lacuna para adaptação é de US$ 310 bilhões, o que equivale a R$ 1,8 trilhão. Até 2023, apenas US$ 26 bilhões foram entregues para esses fins, uma quantia irrisória diante das necessidades”, afirmou Lina Yassin, representante do Sudão. A mensagem é clara: sem dinheiro, as discussões sobre indicadores e métricas para adaptação climática não resultarão em mudanças reais.
Indicadores e sua eficácia
O avanço esperado na COP30 envolve a definição de indicadores da Meta Global de Adaptação, que são métricas para avaliar como os países estão se preparando para os impactos da crise climática. No entanto, como ressaltou Yassin, “indicadores não reconstroem nossas aldeias levadas pela água”. A necessidade de ação concreta é premente.
Resistência dos países desenvolvidos
Os países desenvolvidos, como os da União Europeia, têm mostrado resistência em aumentar suas contribuições financeiras. No Acordo de Paris, as nações ricas se comprometeram a financiar ações climáticas, mas esse compromisso ainda não se concretizou. As emissões históricas dos países africanos, que representam uma fração das emissões dos países desenvolvidos, tornam ainda mais urgente a necessidade de apoio financeiro.
Chamado à ação
Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa, observadora da COP, enfatizou que as negociações precisam acelerar. “Se não conseguirmos avançar rapidamente, poderemos acabar sem nada”, disse ela. O Novo Objetivo Coletivo Quantificado, definido na COP29, prevê que países ricos devem financiar US$ 300 bilhões por ano até 2035, mas esse valor é considerado insuficiente frente às necessidades reais de US$ 1,3 trilhão.
Expectativas para a COP30
Aichetou Seck, negociadora do Senegal, também expressou a esperança de que a COP30 traga mudanças significativas. Ela destacou a importância de se ver resultados concretos nas vidas das comunidades locais. “Temos uma grande esperança de que esta COP fará a diferença”, afirmou.
Os países menos desenvolvidos pedem que o financiamento para adaptação climática seja triplicado até 2030 e que o tema não seja negligenciado frente a discussões sobre mitigação. Mokoena France, representante de Lesoto, alertou que mesmo que os objetivos de mitigação sejam alcançados, isso pode não ser suficiente para aqueles que precisam de ajuda imediata.
Natalie Unterstell reiterou que a COP30 deve resultar em um conjunto de decisões que envolvam a implementação dos Planos Nacionais de Adaptação e a adoção de indicadores que possam ser utilizados nos próximos balanços globais, com uma meta coletiva de financiamento para 2030 que triplique os valores atuais. O momento é crítico, e as ações necessárias devem ser tomadas agora, não no futuro.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Governo Federal








