A trajetória do programa é marcada por resistência e evolução tecnológica ao longo das décadas

Proálcool, que completa 50 anos, enfrentou resistência interna no governo Geisel e transformou a cadeia sucroenergética.
Proálcool 50 anos: um marco na história do etanol no Brasil
O programa Proálcool, que completa 50 anos neste 14 de novembro, foi uma iniciativa transformadora para a cadeia sucroenergética do Brasil. Idealizado pelo usineiro Cícero Junqueira Franco e Lamartine Navarro Junior, o programa nasceu com a proposta de utilizar a fotossíntese como fonte de energia. Desde seu lançamento, o Proálcool enfrentou resistência, especialmente dentro do governo de Ernesto Geisel, que governou o Brasil entre 1974 e 1979.
Resistências internas e a luta pelo Proálcool
O ministro de Minas e Energia, Shigeaki Ueki, destacou em evento recente que a proposta do Proálcool encontrou dificuldades em diversas alas do governo. Um setor defendia a realização de estudos para identificar as regiões mais apropriadas para o cultivo da cana-de-açúcar, enquanto outros no Instituto do Açúcar e do Álcool consideravam que o álcool era um insumo que poderia atrapalhar, devido ao preço mais alto do açúcar.
Ueki relembrou que, apesar de contar com o apoio dos empresários, ele enfrentou oposição interna. O lançamento do programa, em 14 de novembro de 1975, foi uma decisão direta de Geisel, que convocou uma reunião para discutir o futuro do projeto em meio a essas resistências.
A evolução do Proálcool
O Proálcool ganhou destaque a partir de 1979, com o lançamento do Fiat 147 movido a álcool, seguido por outros grandes fabricantes como Volkswagen, GM e Ford. A aceitação imediata do público foi notável, com a maioria das vendas de veículos a álcool. No entanto, o programa também enfrentou um grande desafio em 1989, quando houve uma escassez de combustível, resultando em uma crise de confiança entre os consumidores.
O cenário começou a mudar em 2003, quando a Volkswagen lançou o primeiro veículo flex, permitindo que os motoristas abastecessem com etanol ou gasolina, em qualquer proporção. Essa inovação impulsionou as vendas e levou ao aumento no número de usinas, com 55 novas plantas surgindo entre 2007 e 2009.
Desafios e inovações na cadeia sucroenergética
Apesar do crescimento do setor, o Proálcool também enfrentou críticas relacionadas a questões ambientais, como as queimadas de cana e as condições de trabalho nas usinas. A partir de 2007, um protocolo agroambiental foi assinado, eliminando gradativamente as queimadas e promovendo a mecanização da colheita, que proporcionou a requalificação profissional de milhares de trabalhadores.
Hoje, cerca de 85% dos veículos leves no Brasil são flex, e a produção de etanol se diversificou, incluindo agora também a produção a partir do milho. As usinas continuam a se expandir, e novas tecnologias estão sendo desenvolvidas, demonstrando que a cadeia sucroenergética tem se adaptado e evoluído ao longo do tempo.
O futuro do Proálcool
A consultoria Datagro projeta que a capacidade de produção de etanol de milho aumentará nos próximos anos, enquanto a produção a partir da cana estagnará. O Proálcool, que começou com um desafio e resistência, agora se estabelece como um pilar da energia renovável no Brasil, com potencial para continuar sua trajetória de inovação e adaptação às novas demandas do mercado. Além do etanol, a partir da cana é possível fabricar açúcar, bioeletricidade e até plástico biodegradável, mostrando a versatilidade e importância do programa para a economia brasileira.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Folhapress








