Presos do 8/1 poderiam receber penas de terroristas com proposta de Derrite


Ministério da Justiça aponta que projeto aumentaria severidade das punições

Presos do 8/1 poderiam receber penas de terroristas com proposta de Derrite
Mônica Bergamo

Ministério da Justiça afirma que réus do 8/1 teriam penas como terroristas com nova proposta.

Presos do 8/1 e novas propostas de punições severas

Os réus condenados pelas manifestações do 8 de janeiro, conhecidos como 8/1, enfrentariam penas equiparadas às de terroristas se a nova proposta do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) já estivesse em vigor. O Ministério da Justiça, através do secretário Marivaldo Pereira, destacou que diversas ações relacionadas a protestos poderiam ser enquadradas na legislação de combate ao terrorismo.

Desde 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) já responsabilizou 1.190 pessoas pelas manifestações do 8/1, todas com base no Código Penal. A proposta de Derrite, apresentada recentemente, sugere que atos como bloqueios de estradas e ocupações de espaços públicos se assemelham a práticas terroristas, o que poderia aumentar significativamente a severidade das punições.

A proposta de Derrite

O deputado, que também é Secretário de Segurança de São Paulo, propõe um novo artigo na Lei do Terrorismo, que equipara certas ações a crimes de terrorismo. A proposta sugere que qualquer um que pratique atos de obstrução da polícia ou danos a bens públicos poderia ser punido com até 30 anos de prisão.

Dentre os atos previstos na proposta estão:

  • Apoderar-se, sabotar ou inutilizar total ou parcialmente serviços públicos essenciais.
  • Impedir ou dificultar a ação das forças de segurança pública.

Reações e implicações legais

O secretário Marivaldo Pereira enfatiza que, se a proposta estivesse em vigor, os réus do 8/1 poderiam ser enquadrados neste novo artigo. Ele afirma que as ações dos manifestantes se encaixam na descrição das práticas que a nova lei pretende combater.

Advogados e especialistas em direito penal comentam que a proposta pode gerar um endurecimento das penas para manifestantes, o que levanta preocupações sobre a liberdade de expressão e o direito à manifestação. A proposta ainda está em discussão e não tem um prazo definido para votação.

Contexto das manifestações de 8/1

As manifestações de 8 de janeiro ocorreram em Brasília, onde apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram prédios públicos, incluindo o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional. As ações foram amplamente condenadas e resultaram em uma resposta legal rigorosa por parte do governo e das autoridades.

A proposta de Derrite surge em meio a um debate mais amplo sobre como o governo deve lidar com manifestações que são consideradas violentas ou que ameaçam a ordem pública.

Considerações finais

A discussão em torno da proposta de Derrite reflete um momento crítico na política brasileira, onde o equilíbrio entre segurança pública e direitos civis está em pauta. O impacto dessa proposta, caso aprovada, poderá redefinir o tratamento legal de manifestações e a forma como o Estado reage a essas situações.

Derrite não respondeu às solicitações de comentário sobre sua proposta, mas o debate continua entre especialistas, autoridades e a sociedade civil.

Fonte: redir.folha.com.br


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