Prefeito é condenado por deixar a primeira-dama governar em seu lugar no interior de SP


O caso envolveu a atuação da primeira-dama como prefeita de fato.

Prefeito é condenado por deixar a primeira-dama governar em seu lugar no interior de SP
Cristiane Piovesana assumiu funções do prefeito em Itajobi. Foto: Divulgação/Prefeitura de Itajobi

Prefeito e primeira-dama de Itajobi foram condenados por improbidade administrativa.

A Justiça paulista condenou Lairto e Cristiane Piovesana por improbidade administrativa, resultante da atuação da primeira-dama como prefeita de fato em Itajobi, cidade no interior de São Paulo. Desde os primeiros dias do governo, Cristiane era quem, na prática, exercia o cargo, enquanto Lairto se dedicava aos negócios da família. A condenação, anunciada no final de agosto, foi decidida pela juíza Marina Hasmann, que destacou a gravidade da situação.

Antecedentes do tema e o governo Piovesana

Lairto Luiz Piovesana Filho foi eleito prefeito de Itajobi em 2016, representando o PMDB, e durante seu mandato, nomeou sua esposa para coordenar o Fundo Municipal de Solidariedade. Com o tempo, Cristiane expandiu sua influência para diversas áreas da administração. Funcionários da prefeitura, incluindo o zelador Murilo Pereira e o vice-prefeito Maicon Essi, relataram que a primeira-dama frequentemente comandava reuniões e tomava decisões que deveriam ser da alçada do prefeito. A situação se tornou pública, com cidadãos comentando que “Itajobi tem dois prefeitos”.

O que foi decidido pela Justiça

O casal foi punido com a suspensão dos direitos políticos por oito anos e condenados a devolver os salários recebidos desde a posse até março de 2018, quando uma decisão liminar impediu Cristiane de assumir funções executivas. Além disso, já haviam sido condenados anteriormente por usurpação de função pública, com Lairto recebendo uma pena de quatro anos e oito meses de reclusão, enquanto Cristiane foi sentenciada a cinco anos. A defesa do casal manifestou a intenção de recorrer da decisão.

“A gravidade dos fatos salta aos olhos”, afirmou a juíza Marina Hasmann.

Quem é quem no caso

#### Lairto Piovesana

Ex-prefeito de Itajobi, Lairto foi eleito em 2016 e se destacou por nomear sua esposa para cargos importantes, permitindo que ela atuasse como prefeita na prática.

#### Cristiane Piovesana

Primeira-dama e coordenadora do Fundo Municipal de Solidariedade, Cristiane assumiu funções de gestão na prefeitura, levando a gestão a uma situação de ilegalidade.

Efeitos esperados para a política local

A condenação do casal pode ter um impacto significativo na política de Itajobi, levantando discussões sobre a legalidade e a moralidade na administração pública. O caso também pode inspirar outras cidades a revisarem suas práticas administrativas, prevenindo que situações semelhantes ocorram. A reação da população e dos órgãos competentes será crucial para determinar mudanças nas futuras administrações.

A partir de agora, o que se observa é como a cidade reagirá a essa condenação e se haverá um esforço para garantir que os princípios da legalidade e impessoalidade sejam respeitados no governo municipal. Este caso evidencia a necessidade de um debate mais amplo sobre a participação de familiares em cargos públicos e a transparência na gestão pública.

Lairto deixou o cargo oficialmente no final de 2020 e não se candidatou à reeleição. Após a separação do casal, Cristiane concentrou-se em sua carreira na área de estética. As defesas alegam que as acusações são infundadas e que as decisões tomadas por Cristiane estavam dentro de suas atribuições, mas o resultado do processo judicial reflete uma séria violação dos princípios da administração pública.


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