Reflexões sobre estigmas e avanços nos centros de atenção psicossocial

Estigmas e a falta de recursos ainda afetam os Caps, essenciais para a saúde mental no Brasil.
Em Manhuaçu, Minas Gerais, a estudante Maria Clara Dutra Moreira, de 23 anos, relata que utiliza o centro de atenção psicossocial (Caps) desde dezembro de 2023 para tratar crises de ansiedade e depressão. Ela destaca que, apesar dos avanços, ainda enfrenta estigmas e piadas relacionadas ao Caps, que não deveriam existir. Segundo especialistas, o Caps é um instrumento fundamental para a saúde mental no Brasil, representando a transição de um modelo manicomial para um atendimento mais humanizado e comunitário.
A importância dos Caps na saúde mental
Os Caps foram criados para atender às demandas de saúde mental e têm se adaptado ao longo dos anos. Desde a promulgação da Lei 10.216 em 2001, que estabelece os direitos das pessoas com transtornos mentais, os Caps se tornaram parte essencial da rede pública de saúde. Eles oferecem diferentes modalidades de atendimento, com serviços voltados também para crianças e adolescentes, e para pessoas com problemas relacionados ao uso de substâncias.
Desafios e preconceitos
Apesar da estruturação dos Caps, o preconceito e os estigmas persistem. A presidente do comitê consultivo da OMS, Claudia Braga, enfatiza que a transformação do imaginário social sobre a saúde mental é um processo longo e complexo. Isso acontece devido a uma visão histórica que associa a loucura a periculosidade, dificultando o acesso e a aceitação do tratamento. O vice-presidente da Abrasme, Leonardo Pinho, complementa que essa percepção é um legado do modelo manicomial que ainda influencia a sociedade.
Avanços e limites do sistema
Nos últimos dois anos, o governo federal investiu R$ 620 milhões na ampliação dos serviços de saúde mental, incluindo a criação de novos Caps. Contudo, ainda existem desafios significativos, como a sobrecarga de profissionais e restrições orçamentárias. Os Caps, portanto, continuam a ser um símbolo da reforma psiquiátrica no Brasil, que busca promover a inclusão e o cuidado em liberdade, mas necessitam de apoio contínuo para superar os obstáculos históricos e sociais que enfrentam.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br








