Planalto vê retaliação de Motta e Centrão sobre anistia a Bolsonaro


Urgência aprovada gera tensão entre governo e aliados

Planalto vê retaliação de Motta e Centrão sobre anistia a Bolsonaro
Foto: Adriano Machado/Reuters

O governo Lula analisa a aprovação da urgência da anistia como retaliação do Centrão. A relação entre o Planalto e o presidente da Câmara, Hugo Motta, ficou abalada.

O governo Lula avalia que a aprovação da urgência da anistia, articulada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, e pelo Centrão, foi uma retaliação direta ao Palácio do Planalto. O movimento teria sido uma resposta à decisão do presidente de orientar o PT a votar contra a “PEC da Blindagem”.

O que motivou a retaliação

Na segunda-feira (15), Motta informou a Lula, em almoço no Palácio da Alvorada, que pretendia pautar a PEC para, em seguida, derrubar a urgência da anistia e votar uma proposta de redução de penas aos condenados pela trama golpista. A orientação de Lula para o PT votar contra a PEC irritou Motta e o Centrão, que se alinharam à oposição.

Relação abalada entre governo e Centrão

Auxiliares de Lula afirmam que a votação da urgência abalou a relação do presidente com Motta. O pequeno nível de confiança existente entre os dois se dissipou. O diagnóstico no Planalto é que a fragilidade das posições de Motta gera risco de aprovação da anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Discussões sobre redução de penas

Lula sinalizou durante almoço com a bancada do PDT que não se opõe a discutir a redução de penas aos golpistas, mas considera o momento inadequado para levar o tema ao plenário. O presidente acredita que o assunto deveria ser tratado após o trânsito em julgado de todos os réus.

Consequências do acordo com o STF

Uma ala do governo entende que ministros do STF erraram ao fazer um acordo com Motta e o Centrão, que previa a derrubada da urgência da anistia e a aprovação da redução de penas. Após a aprovação da urgência, Motta escolheu Paulinho da Força como relator, um deputado próximo ao ministro Alexandre de Moraes. Essa escolha é vista como um aceno ao ministro após a ruptura do combinado.


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