Mudanças na liderança não alteram estrutura que favorece a corrupção

José Jerí assume a presidência do Peru em meio a um sistema que perpetua a corrupção, mesmo com a troca de líderes.
Em Lima, no dia 5 de outubro de 2023, o Peru anuncia a troca de seu presidente, com José Jerí assumindo em meio a um cenário político conturbado e marcado por manifestações. A mudança de liderança não altera a estrutura corrupta que permeia o governo, consolidando o que muitos chamam de um sistema que protege a corrupção.
Crise política e descontentamento popular
A turbulência no país andino se intensificou após o autogolpe de Pedro Castillo em 2022. A crise política que se seguiu deixou um rastro de protestos e centenas de mortes, revelando um descontentamento profundo da população. O novo presidente, José Jerí, é o oitavo líder em uma década, simbolizando a instabilidade governamental. Apesar de prometer um governo de transição voltado à segurança, sua ascensão é marcada por acusações de corrupção e abuso.
O poder em mãos das mesmas famílias
O poder real no Peru, segundo especialistas, está concentrado nas chamadas “quatro famílias”: Fujimori, Acuña, Luna Gálvez e Cerrón. Essas famílias têm operado uma agenda que busca enfraquecer o Judiciário e aprovar leis que limitam a ação da polícia, perpetuando um ciclo de corrupção. O novo governo de Jerí precisa enfrentar um Congresso em constante rebelião e demonstrar resultados rapidamente, sob pena de ser mais um a sucumbir ao sistema.
Economia em crescimento, mas sem legitimidade
Curiosamente, o país experimenta um crescimento do PIB de 3,4% no primeiro semestre de 2023, impulsionado pelo setor mineral. No entanto, a prosperidade não se reflete na vida da população, onde 70% dos trabalhadores estão em condições informais e a desconfiança nas instituições é alarmante, beirando os 90%. O Peru enfrenta, assim, um ciclo de crescimento econômico sem legitimidade, onde a crise política continua a se agravar.
Caminho para as eleições de 2026
À medida que o Peru se aproxima das eleições de abril de 2026, a situação permanece crítica. Com 39 partidos registrados e nenhum candidato capaz de romper com o circuito de compromissos e impunidade, o futuro político do país é incerto. As manifestações recentes refletem um descontentamento generalizado, não apenas com a saída de Boluarte, mas com um sistema que se recicla sem promover mudanças significativas.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br








