Descubra ícones como Machado de Assis e Chiquinha Gonzaga e suas trajetórias

Ícones como Machado de Assis e Chiquinha Gonzaga têm origens negras pouco conhecidas.
O reconhecimento de personalidades históricas de origem negra, como Machado de Assis e Chiquinha Gonzaga, traz à tona uma narrativa frequentemente esquecida. Esse resgate é fundamental não apenas para a história da literatura e da música brasileira, mas também para a compreensão das lutas sociais e raciais no Brasil.
Machado de Assis: o escritor embranquecido
Machado de Assis (1839-1908), considerado o maior escritor brasileiro, teve sua origem negra oculta por muito tempo. Embora sua certidão de óbito afirmasse que sua cor era “branca”, ele era, na verdade, filho de pai pardo e mãe branca. Durante sua vida, era reconhecido como mulato, mas essa identidade foi sistematicamente apagada nas representações posteriores. O filósofo David Santos destaca que “toda pessoa afro que foi importante para a humanidade acabou embranquecida ou neutralizada”. Essa realidade se reflete nas imagens de Assis, que ao longo do século XX foram alteradas para apresentar um autor branco.
Chiquinha Gonzaga: lutadora abolicionista
Chiquinha Gonzaga (1847-1935) é outra figura que teve sua origem negra minimizada. Filha de uma negra liberta e um militar branco, Chiquinha foi uma das pioneiras da música brasileira e se envolveu ativamente na luta abolicionista. Sua história, no entanto, é frequentemente contada por meio de representações de atrizes brancas, que distorcem sua identidade. A pesquisadora Roberta Basilio aponta que a mídia teve um papel crucial nesse “embranquecimento” ao escolher artistas que não representavam a realidade de seus personagens.
Nilo Peçanha: o presidente negro
O Brasil também teve um presidente considerado negro: Nilo Peçanha, que governou de 1909 a 1910. Apesar de sua ascendência africana, sua negritude foi frequentemente questionada. Como outros líderes afrodescendentes, Peçanha enfrentou racismo em vida e sua descendência foi ignorada por muitos biógrafos. O ativista Abdias do Nascimento, que destacou a importância de reconhecer a negritude de figuras políticas, também mencionou outros presidentes, como Rodrigues Alves e Tancredo Neves, que poderiam ter origens africanas.
A importância do resgate da negritude
O resgate da identidade negra dessas personalidades não se limita a um exercício acadêmico—é uma necessidade social. Reconhecer a negritude de figuras históricas ajuda a combater o racismo e a glorificar as contribuições de afrodescendentes na formação da sociedade brasileira. O professor Philippe Arthur dos Reis enfatiza a importância de trazer à tona essas identidades, ressaltando que o “embranquecimento” é um problema contemporâneo que precisa ser discutido.
Conclusão
A história de personalidades como Machado de Assis e Chiquinha Gonzaga é um lembrete de que a luta contra o racismo e pela valorização da identidade negra no Brasil continua. É essencial que as novas gerações conheçam esses ícones em sua totalidade, reconhecendo suas origens e o impacto que tiveram na cultura e na sociedade. O resgate de sua história é uma forma de reafirmar a potência e a importância da negritude na construção do Brasil moderno.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Fundação Biblioteca Nacional/Domínio público








