Estratégias de lavagem de dinheiro envolvem diversos setores, incluindo brinquedos e combustíveis

Investigação aponta que PCC lavava dinheiro por meio de lojas, padarias e fintechs em São Paulo.
O Primeiro Comando da Capital (PCC) faturou bilhões de reais com o tráfico internacional de drogas e negócios legais, como a exploração do tabaco e combustíveis, utilizando diversas estratégias para lavar esse dinheiro. Nesta quarta-feira (22), uma operação revelou que lojas de brinquedos na capital paulista e na região metropolitana eram usadas pela facção para ocultar suas finanças.
Números do crime organizado
Em 2022, o PCC faturou R$ 146,8 bilhões com produtos do comércio legal. A operação do Ministério Público e da Polícia Civil identificou lojas localizadas em shoppings de São Paulo e Guarulhos, ligadas a Claudio Marcos de Almeida, conhecido como Django, um dos principais traficantes da facção. As investigações apontaram que sua ex-mulher e a irmã dela investiram em quatro lojas de brinquedos, mesmo sem ocupação lícita.
Estruturas de lavagem de dinheiro
A operação Carbono Oculto, realizada em agosto, expôs um esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis, que passava por toda a cadeia produtiva. O grupo controlava pelo menos 40 fundos de investimento, movimentando R$ 30 bilhões, além de utilizar postos de combustíveis e lojas de conveniência para transferir recursos ilícitos. Nos últimos quatro anos, esses postos movimentaram R$ 52 bilhões, e muitos deles venderam combustíveis adulterados.
Infiltração no mercado financeiro
As investigações revelaram que o PCC também criou uma estrutura financeira paralela, utilizando fintechs para lavar dinheiro. Uma dessas fintechs, que atuava como um “banco paralelo”, movimentou mais de R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024. As operações incluíam uma rede de padarias que se destacava na cidade, com a Dubai Administração de Bens Ltda. como a administradora do grupo criminoso.
Motéis no esquema de lavagem
A Receita Federal descobriu uma rede de cerca de 60 motéis, que movimentaram R$ 450 milhões entre 2020 e 2024, utilizados pelo PCC para aumentar o patrimônio dos sócios. Esses estabelecimentos geraram lucros significativos, contribuindo para o esquema de lavagem de dinheiro, que incluía a distribuição de lucros e dividendos aos envolvidos no crime organizado.
As investigações revelam a complexidade e a extensão do esquema de lavagem de dinheiro do PCC, que se infiltrou em diversos setores da economia, dificultando o rastreamento e a atuação das autoridades.
Notícia feita com informações do portal: g1.globo.com








