Paraná investirá R$ 1,1 bilhão em novas hidrelétricas e amplia liderança em energia limpa


Governador Ratinho Junior anuncia construção de 11 PCHs em 15 municípios, reforçando a matriz sustentável do Estado.

O Paraná dará um passo decisivo para consolidar-se como referência nacional em energia renovável. Nos próximos dois anos, o Estado receberá aproximadamente R$ 1,1 bilhão em investimentos para a construção de 11 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) que beneficiarão 15 municípios. Os projetos foram contratados no 39º Leilão de Energia Nova A-5, realizado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), e terão fornecimento de energia a partir de janeiro de 2030.

hidreletricas
Foto: Daniel Castellano/SEDEST

O governador Carlos Massa Ratinho Junior destacou que a iniciativa reforça a vocação sustentável do Paraná. Segundo ele, o valor total pode chegar a R$ 1,5 bilhão, considerando também as Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs). “É uma grande oportunidade para o Paraná, que já é o maior produtor de energia elétrica limpa do País. Esse investimento mostra nossa capacidade de gerar energia renovável, fruto de uma política de desburocratização com foco na sustentabilidade”, afirmou.

Municípios contemplados

As novas usinas serão construídas em Nova Cantu, Laranjeiras, Altamira, Itaguajé, Colorado, Paranacity, Toledo, Cerro Azul, Clevelândia, Honório Serpa, Moreira Salles, Tuneiras do Oeste, Goioerê, Boa Vista da Aparecida e Cruzeiro do Iguaçu.

Os empreendimentos incluem as PCHs: São Salvador, Água Tremida, Caratuva, Generoso, Itaguajé, Cantu 1, Ribeirão Bonito, Córrego Fundo, Nova Geração, Tito e Trindade Baixo Jusante. No total, o Estado contratou 110 megawatts (MW), colocando-se como o segundo do País em número de projetos vencedores no leilão.

Impactos socioeconômicos

De acordo com o secretário das Cidades, Guto Silva, os investimentos trarão efeitos diretos no desenvolvimento regional. “São pequenas indústrias a céu aberto, que geram empregos, movimentam a economia e injetam recursos nos municípios, mudando a realidade local”, destacou.

O presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de PCHs e CGHs (Abrapch), Pedro Dias, ressaltou que os projetos significam energia mais barata e confiável. “As PCHs não sofrem com intermitência, como acontece em outras fontes renováveis, e ainda estimulam turismo e lazer nas cidades beneficiadas, trazendo crescimento para regiões com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)”, disse.

Benefícios ambientais

Além do impacto econômico, os novos projetos também garantem benefícios ambientais relevantes. Segundo o presidente do Instituto Água e Terra (IAT), Everton Souza, cada empreendimento protegerá milhares de hectares de áreas verdes. “São mil hectares do empreendimento em si e quatro mil hectares que deverão ser preservados. O Paraná cresce de maneira sustentável, conciliando geração de energia com conservação ambiental”, explicou.

As PCHs ainda apresentam vantagens adicionais, como:

  • Preservação de matas ciliares até 3,5 vezes maior;

  • Proteção de nascentes e melhoria da qualidade da água;

  • Baixa emissão de carbono;

  • Geração de empregos diretos e indiretos, com impacto positivo no IDH;

  • Oferta de energia limpa e duradoura, sem passivos ambientais de longo prazo.

Reconhecimento nacional

A presidente da Abrapch, Alessandra Torres de Carvalho, destacou que o Paraná é referência no licenciamento ambiental de projetos do setor. “Em alguns estados, um processo de licenciamento pode levar até dez anos. Aqui, conseguimos simplificação sem abrir mão da análise técnica e jurídica. O órgão ambiental do Paraná é um exemplo para o Brasil”, afirmou.

Esse protagonismo também é refletido em indicadores nacionais. De acordo com o Ranking de Competitividade dos Estados, divulgado pelo Centro de Liderança Pública, o Paraná ocupa a vice-liderança em sustentabilidade ambiental no país. O Estado é líder em transparência nas ações contra o desmatamento, primeiro em reciclagem de lixo e vice-líder em coleta seletiva.

Nos últimos anos, o Paraná registrou uma redução de 64% no desmatamento da Mata Atlântica, resultado de ações intensivas de fiscalização com apoio de satélites.

Perspectivas futuras

Atualmente, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Paraná conta com 114 PCHs e CGHs em operação. Outras cinco estão em construção, sete aguardam início das obras e 116 estão em fase de registro de intenção de outorga. Há ainda 35 projetos em estágio de estudos de inventário.

O governador Ratinho Junior também anunciou que o Estado estuda a criação de um fundo específico para projetos de energia renovável, inspirado no modelo do Fundo de Investimento Agrícola do Paraná. “A ideia é estabelecer uma linha de crédito em parceria com o setor privado, garantindo juros mais baixos e recursos mais ágeis para iniciativas sustentáveis”, explicou.

Um marco para o desenvolvimento sustentável

A construção das novas PCHs coloca o Paraná em posição estratégica no cenário nacional de energia renovável. Ao combinar desenvolvimento econômico, proteção ambiental e inclusão social, o Estado mostra que é possível crescer com responsabilidade.

Os novos investimentos não apenas consolidam o papel do Paraná como líder em energia limpa, mas também fortalecem a imagem do estado como exemplo de sustentabilidade e inovação para o Brasil e o mundo.

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