Iniciativa promove a valorização da identidade negra em crianças com 11 espaços dedicados

Projeto no Pará cria afrotecas que atendem mais de 1.800 crianças, valorizando a identidade negra.
Pará cria rede de afrotecas para educação antirracista
O estado do Pará implementou uma rede de afrotecas, espaços dedicados à educação antirracista, com o objetivo de promover a valorização da identidade negra entre crianças. A iniciativa atende mais de 1.800 crianças e integra as rotinas pedagógicas de escolas e comunidades quilombolas. Com a criação de 11 afrotecas em cinco municípios, o projeto se destacou como uma importante ferramenta na luta contra o racismo desde a primeira infância.
O que são as afrotecas?
As afrotecas são espaços que combinam características de bibliotecas e brinquedotecas, oferecendo um ambiente lúdico e educativo que valoriza a diversidade étnico-racial. O projeto foi idealizado pelo Grupo de Pesquisa em Literatura, História e Cultura Africana, Afro-brasileira, Afro-Amazônica e Quilombola (Afroliq) da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), com apoio do Ministério da Igualdade Racial. Cada unidade tem regras próprias de participação e funciona em escolas, universidades e comunidades quilombolas, além de contar com uma afroteca itinerante em Santarém.
Impacto nas crianças
Um exemplo do impacto positivo das afrotecas pode ser visto na história de Lara, uma menina de 6 anos que, após frequentar a Afroteca Lelê, começou a se aceitar e amar sua aparência. Antes, Lara tinha dificuldades com sua identidade, desejando ter o cabelo liso da mãe e a pele clara do pai. A mudança veio com a introdução de personagens negros e histórias que promovem a cultura afro-brasileira. A mãe de Lara, Danielle, notou uma transformação significativa na autoestima da filha, que agora se orgulha de seus cabelos cacheados.
A importância da valorização da identidade
O coordenador do projeto, professor Luiz Fernando de França, destaca que as afrotecas são fundamentais para a promoção da cultura e da identidade afro-brasileira no ambiente educacional do Norte do país. “As afrotecas mostram que a escola pode ser um lugar de reconhecimento e transformação”, afirma.
A estrutura das afrotecas
Cada afroteca possui um cronograma mensal que integra atividades de contação de histórias, rodas de conversa e interação com livros e instrumentos musicais. As atividades são planejadas em conjunto com os professores, garantindo que o conteúdo se conecte ao currículo escolar. Professores e educadores relataram melhorias notáveis no comportamento e na autoestima das crianças que frequentam esses espaços, com relatos de crianças que antes tentavam clarear a pele e agora aceitam seus traços naturais.
A inclusão nas universidades
A Afroteca Kurumi, instalada dentro da Ufopa, é a primeira do tipo no Brasil e se tornou um pilar importante da política de permanência estudantil da universidade. O espaço atende principalmente filhos de alunas indígenas, quilombolas e negras. A diretora de políticas estudantis da Ufopa, Wânia Alexandrino Viana, ressalta que as crianças não precisavam apenas de uma brinquedoteca, mas de um espaço que reconhecesse e valorizasse sua identidade.
Conclusão
As afrotecas no Pará vão além de um simples espaço de recreação. Elas representam uma mudança significativa na forma como as crianças se veem e se relacionam com suas identidades. Com a crescente demanda por educação antirracista, a implementação dessas iniciativas é um passo importante para construir um futuro mais inclusivo e igualitário para as próximas gerações.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Divulgação Editora Nacional








