Iniciativa busca reunir especialistas para acelerar a transição energética global

Cerca de cem pesquisadores se reunirão para discutir a transição energética e a eliminação do uso de combustíveis fósseis.
A COP30, programada para acontecer em Belém, busca um novo enfoque na luta contra as mudanças climáticas com a criação de um painel científico internacional. O projeto, idealizado pela diretora-executiva da COP30, Ana Toni, será composto por cerca de cem pesquisadores de todo o mundo, que se dedicarão a produzir relatórios sobre como acelerar a transição energética e zerar o uso de combustíveis fósseis. Essa iniciativa é vista como uma forma de fortalecer as discussões sobre o futuro ambiental do planeta.
Carlos Nobre, co-presidente do time que estuda a Amazônia, destaca a importância dessa proposta em um momento em que as nações precisam urgentemente reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Segundo ele, é fundamental que os países se comprometam a reduzir as emissões em 40% até 2030, em comparação aos níveis de 2019, para manter o aquecimento global dentro de limites seguros.
Desafios da transição energética
O painel científico buscará preencher a lacuna existente entre as metas de redução de emissões e as ações concretas necessárias para alcançá-las. A primeira entrega do painel está agendada para a COP31, que ocorrerá em 2026, na Turquia. Nobre afirma que, assim como o Painel Científico para a Amazônia, que foi criado em 2020, o novo painel apresentará periodicamente o progresso dos esforços para eliminar combustíveis fósseis e promover a descarbonização.
A composição do grupo ainda não está definida, mas os convites para participação devem ser enviados em breve. A proposta é agregar evidências científicas disponíveis sobre a transição energética, seguindo o modelo do IPCC, o painel intergovernamental da ONU sobre mudanças climáticas. Nobre explica que o painel realizará uma análise detalhada da ciência atual e apresentará recomendações para a implementação de soluções viáveis.
Necessidade de financiamento
Um dos principais obstáculos à transição energética, segundo Nobre, é a falta de financiamento e a escala necessária para implementar mudanças significativas. Ele ressalta que as nações em desenvolvimento frequentemente demandam mais recursos para tornar viável essa transição. Um exemplo citado é a China, que, apesar de ser o maior produtor de painéis solares, ainda utiliza combustíveis fósseis para sua produção. Isso evidencia a necessidade de acelerar a geração de eletricidade a partir de fontes renováveis.
Nobre também enfatiza que o Brasil possui um grande potencial para eliminar o uso de combustíveis fósseis e se tornar um líder na industrialização de energias renováveis, como a produção de painéis solares e turbinas eólicas.
Interação com lideranças políticas
Recentemente, Nobre apresentou a proposta do painel ao presidente Lula, durante uma reunião em Belém. Ele também trouxe uma carta assinada por cientistas que expressa preocupações sobre o andamento das negociações na COP30. Ao discutir a criação de um fundo nacional para a transição energética, Nobre reafirmou que a meta deve ser a eliminação total das fontes poluentes, enfatizando que a ciência não defende a continuidade do uso de combustíveis fósseis durante a transição.
O futuro da COP30
Nobre acredita que a COP30 deve apresentar um roteiro claro para o fim do desmatamento e a eliminação do uso de combustíveis fósseis. Ele destaca que os documentos resultantes das negociações precisam ir além dos compromissos anteriores, pois, caso contrário, os resultados podem ser considerados insatisfatórios. A proposta de um mapa do caminho para a eliminação dos combustíveis fósseis é crucial para garantir que ações concretas sejam tomadas, e não apenas promessas vazias.
O painel científico da COP30 surge, portanto, como uma esperança para que a comunidade internacional possa finalmente avançar em direção a um futuro sustentável, onde combustíveis fósseis sejam coisa do passado.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Governo Federal








