Oposição articula anistia para Bolsonaro na Câmara


Líder da oposição afirma que há apoio suficiente para pautar proposta

Líder da oposição na Câmara afirma que já existe maioria para pautar projeto de anistia ao ex-presidente.

Em meio ao julgamento de Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal, o líder da oposição na Câmara, deputado Zucco (PL-RS), afirmou nesta terça-feira (9) que já existe maioria na Casa para levar ao plenário um projeto de anistia que beneficiaria o ex-presidente e todos os investigados ou condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Segundo ele, mais de 300 deputados estão dispostos a apoiar a inclusão da proposta na pauta.

Ao chegar ao STF para acompanhar o julgamento, Zucco afirmou que o tema não se restringe ao PL. “Não é só o Partido Liberal ou o presidente Bolsonaro que defendem. Perguntem para os líderes do Progressistas, do Republicanos, do União Brasil. A pauta tem que ser trazida ao plenário.”

Ele também desdenhou das pesquisas de opinião que rejeitam a anistia. “O povo elegeu seus representantes. Cabe a nós decidir se há ambiente político. Pesquisas divergem de instituto para instituto, mas o que vale é o voto dado nas urnas.”

O que diz a minuta da anistia

O texto em articulação, apelidado de “minuta da anistia”, foi preparado pelo líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ). O projeto estabelece como marco inicial 14 de março de 2019 – data de abertura do inquérito das fake news no STF – e prevê:

  • Perdão amplo, geral e irrestrito para investigados, processados ou condenados desde 2019 até a entrada em vigor da lei.
  • Extinção de condenações, multas, inelegibilidades e processos.
  • Abrangência não só criminal, mas também cível, administrativo e eleitoral.
  • Inclusão de discursos, publicações em redes sociais, ataques às instituições e apoio logístico ou financeiro a manifestações.
  • Benefício direto a Bolsonaro, hoje inelegível até 2030 por decisão do TSE, abrindo caminho para disputar a eleição de 2026.

Divisões e resistências no Congresso

A proposta do PL contrasta com a defendida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que prefere um texto mais restrito, limitado a reduzir as penas dos condenados pelo 8 de Janeiro, sem incluir Bolsonaro nem reverter inelegibilidades. O debate expõe uma divisão política:

  • PL e aliados de Bolsonaro: pressionam por anistia total, incluindo o ex-presidente.
  • Setores do Centrão: avaliam que manter Bolsonaro inelegível fortalece outros nomes da direita para 2026, como Tarcísio de Freitas.
  • Presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB): tem adotado postura cautelosa e ainda não se comprometeu com a pauta.

Impactos e críticas à proposta

O texto preliminar enfrenta resistência dentro e fora do Congresso:

  • Amplitude excessiva: termos vagos como “polarização” e “animosidade” podem blindar crimes graves.
  • Efeito eleitoral: a derrubada das inelegibilidades teria impacto direto na disputa presidencial de 2026.
  • Erros técnicos: especialistas apontam inconsistências jurídicas no rascunho da proposta.

Mesmo assim, a pressão de Bolsonaro e seus aliados cresce à medida que o julgamento no STF avança. A anistia é vista como última cartada política para garantir a volta do ex-presidente ao tabuleiro eleitoral.


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