Operação ‘Rastro Cirúrgico’ Revela Desvio Milionário no SUS e Apreensão de Arsenal em Selvíria


A Polícia Federal deflagrou a Operação “Rastro Cirúrgico” nesta terça-feira, desmantelando um esquema de desvio de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) em Selvíria, cidade a 404 km de Campo Grande. A ação resultou na apreensão de um arsenal, pedras preciosas e R$ 100 mil em dinheiro, além do afastamento de figuras-chave como o secretário municipal de Saúde, Edgar Barbosa dos Santos, e o ex-prefeito José Fernando Barbosa.

As investigações, iniciadas a partir de indícios de irregularidades no Centro de Especialidades Médicas (CEM) de Selvíria, revelaram um intrincado sistema de fraudes. Segundo a Polícia Federal, foram identificados “indícios veementes de inexecução contratual, além de superfaturamento e sobrepreço na Ata de Registro de Preço (ARP) e nos respectivos contratos administrativos”. Diversos contratos sequer foram publicados no portal da transparência, evidenciando a tentativa de ocultar o esquema.

A investigação também apurou a existência de contratos com objetos idênticos, vigência simultânea e mesmas partes contratantes, resultando em pagamentos duplicados por procedimentos cirúrgicos e serviços médicos. Um fato particularmente alarmante foi a descoberta de que uma das clínicas contratadas sequer existia, demonstrando a ousadia dos envolvidos na fraude.

O nome da operação, “Rastro Cirúrgico”, faz alusão à ausência de documentação crucial, como prontuários e anotações pós-operatórias, que deveriam estar presentes em qualquer procedimento cirúrgico. A falta desses registros, mesmo após auditorias e inspeções técnicas, levantou suspeitas e culminou na deflagração da operação pela Polícia Federal.

Durante a operação, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em Selvíria, Aparecida do Taboado e São José do Rio Preto (SP). Além das apreensões já mencionadas, a Justiça determinou o sequestro e bloqueio de bens no valor de R$ 5 milhões para cada pessoa física e jurídica investigada. Os investigados poderão responder por peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e associação criminosa, com penas que, somadas, podem alcançar 33 anos de prisão.

Fonte: http://www.campograndenews.com.br


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