Ações letais e suas consequências nas eleições

A Operação Contenção no Rio, com 121 mortos, pode reposicionar a direita para as eleições de 2026, segundo especialistas.
Na terça-feira, 24 de outubro de 2025, a Operação Contenção, a mais letal da história do Brasil, resultou em 121 mortos e 113 presos nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro. O governador Cláudio Castro (PL-RJ) celebrou a operação, que logo gerou reações de líderes de direita, que se uniram em um Consórcio da Paz para combater o crime organizado. A ação pode ser vista como uma estratégia para reposicionar a direita no cenário político, especialmente com a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe.
Contexto da operação
Especialistas em segurança pública afirmam que a adesão popular a operações letais é impulsionada pelo medo e pela promessa de soluções imediatas. Jacqueline Muniz, da UFF, destaca que as operações têm sido usadas como estratégia política há décadas no Rio, e a guerra contra o crime serve como marketing eleitoral. O aumento da violência e a resposta da sociedade a ela são fatores que podem influenciar o voto nas próximas eleições.
Repercussões eleitorais
O cenário atual, com Bolsonaro fora do centro das atenções, abre espaço para outros políticos de direita, como Cláudio Castro, que é cotado para o Senado em 2026. A aprovação popular de ações como a Operação Contenção, com 57% da população do Rio expressando apoio, indica que a direita pode se rearticular em torno desses eventos. A operação, que terminou com a morte de quatro policiais e não conseguiu capturar o chefe do Comando Vermelho, também revela a complexidade da discussão sobre segurança pública e violência.
Raízes da adesão a operações letais
Pesquisadores apontam que a violência institucional é utilizada para ganhos políticos, refletindo uma sociedade marcada por racismo e classismo. A percepção de que a brutalidade é um meio necessário para lidar com a criminalidade pode gerar um ciclo vicioso de violência e apoio a governos truculentos. A memória recente de operações letais ressuscita no imaginário social a ideia de um Rio de Janeiro refém do crime, o que, em última análise, molda o debate político e a formação de alianças eleitorais para o futuro.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br








