A nova tendência nas redes sociais: riscos de raspar os cílios


Prática pode acarretar sérios danos à saúde ocular e comprometer a visão

A nova tendência nas redes sociais: riscos de raspar os cílios
Os cílios protegem a superfície ocular – Vlad/adobe stock

Raspar os cílios, uma nova tendência nas redes sociais, pode causar danos à saúde ocular.

Riscos associados à tendência de raspar os cílios

Raspar os cílios, uma nova tendência nas redes sociais, especialmente no TikTok, tem ganhado popularidade entre os homens como um suposto símbolo de masculinidade. Essa prática, que já teve grande repercussão em países como Estados Unidos e Reino Unido, agora começa a se espalhar entre jovens brasileiros, gerando preocupações entre especialistas em saúde ocular.

O oftalmologista Lucas Zago Ribeiro, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia, ressalta que os cílios não estão apenas presentes por uma questão estética, mas exercem funções fundamentais para a proteção e o bom funcionamento da superfície ocular. Esses pequenos fios atuam como barreiras físicas contra poeira, sujeira e micro-organismos, além de ajudarem a filtrar o ar e a radiação ultravioleta.

Além disso, os cílios são altamente sensíveis e disparam o reflexo de piscar ao detectar objetos se aproximando. Eles também contribuem para a redução da evaporação da lágrima, evitando o ressecamento ocular. A remoção desnecessária dos cílios compromete todos esses mecanismos de proteção e pode causar sérios danos.

Lesões e complicações

O principal risco imediato de raspar os cílios envolve a lesão de estruturas delicadas, como a córnea e a borda palpebral. Zago alerta que o uso de lâminas ou objetos cortantes próximos aos olhos pode resultar em ferimentos graves e dolorosos, com potencial de comprometer a visão. Além disso, durante a raspagem, partículas dos próprios cílios podem cair sobre a superfície ocular, provocando irritação, inflamação ou infecção.

A ausência prolongada dos cílios aumenta a exposição a poeira, vento e micro-organismos, favorecendo o desenvolvimento de quadros de blefarite, que é a inflamação das pálpebras, além de infecções recorrentes e ressecamento ocular crônico. Esse último pode causar desconforto, como sensação de areia nos olhos, coceira e vermelhidão.

Cada olho possui entre 150 e 250 cílios, que crescem em média de quatro a dez semanas após o corte. Entretanto, o trauma repetido pode danificar a raiz dos fios, levando a falhas permanentes no crescimento.

Consequências a longo prazo

Quando há dano direto à borda palpebral, o crescimento dos cílios pode ser alterado, resultando em fios mais finos, tortos ou em menor quantidade. Outro problema frequente é o desequilíbrio das glândulas palpebrais, responsáveis pela produção da camada oleosa da lágrima, que impede a evaporação rápida da mesma. Alterações nessa região podem deixar os olhos mais secos e expostos, intensificando o desconforto.

É importante que aqueles que já raspam os cílios fiquem atentos a sinais de irritação, ardor, inchaço, dor, vermelhidão ou secreção ocular. A avaliação oftalmológica é essencial, já que o uso de colírios lubrificantes pode aliviar o desconforto. Somente um especialista pode determinar se existe infecção ou inflamação mais grave.

A responsabilidade das redes sociais

Embora ainda não existam estudos específicos sobre a prática de raspagem estética dos cílios, a literatura médica já documentou situações em que a remoção dos cílios é feita por indicação terapêutica, como em casos de triquíase ou distiquíase. Mesmo nesses casos, a remoção é realizada sob supervisão médica e com técnicas especializadas. Fora desse contexto, os riscos se tornam desnecessários.

Lucas Zago destaca a responsabilidade que influenciadores com milhões de seguidores têm ao divulgar práticas sem embasamento científico. Essas ações podem induzir comportamentos perigosos, especialmente entre adolescentes que, por curiosidade ou desejo estético, podem replicar essas tendências.

Diante dos riscos associados à raspagem dos cílios, é fundamental que haja uma conscientização sobre a importância da proteção ocular e a adoção de práticas seguras, evitando que modismos prejudiciais se espalhem nas redes sociais.

Fonte: www1.folha.uol.com.br


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