Governos utilizam conceito para classificar traficantes como terroristas

Governos utilizam o termo narcoterrorismo para classificar traficantes como terroristas, segundo especialistas, isso gera riscos legais e de direitos humanos.
Em 3 de novembro de 2025, autoridades e especialistas discutem o uso do termo “narcoterrorismo” por governos para classificar traficantes de drogas como terroristas. Este conceito, embora popularizado, é criticado por não ter uma base jurídica sólida e por levantar questões sobre direitos humanos e eficácia no combate ao crime organizado.
A origem e o uso do termo
O termo narcoterrorismo foi inicialmente utilizado no Peru, na década de 1980, e se refere a grupos que adotam táticas terroristas para alcançar objetivos relacionados ao tráfico de drogas. No entanto, especialistas como Ben Saul, relator da ONU, argumentam que essa rotulação é mais um rótulo político do que um conceito jurídico.
Implicações legais e sociais
Recentemente, o Congresso brasileiro discute projetos de lei que visam ampliar a definição de terrorismo para incluir o tráfico de drogas. Isso gera preocupações sobre o uso excessivo da força e possíveis violações de direitos humanos. A classificação de traficantes como terroristas pode resultar em punições mais severas e em uma resposta estatal mais agressiva, colocando em risco a proteção dos direitos civis.
Visão crítica de especialistas
Acadêmicos afirmam que o uso do termo narcoterrorismo pode confundir o público e exacerbar a violência. A falta de motivações políticas claras por parte das facções criminosas, como o Comando Vermelho e o PCC, é um argumento central na crítica a essa classificação. Rafael Alcadipani, especialista, ressalta que a verdadeira questão está na necessidade de uma coordenação mais eficaz no combate ao narcotráfico, independentemente da rotulação dos grupos envolvidos.
Conclusão
O debate em torno do narcoterrorismo reflete uma necessidade mais ampla de repensar as estratégias de combate ao crime. A separação entre crime organizado e terrorismo é crucial para evitar abusos e garantir a proteção dos direitos humanos. Mudanças legislativas devem focar em uma abordagem mais integrada e efetiva, sem recorrer a terminologias que podem gerar confusão e injustiças.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br








