Motta deve evitar pautar anistia a Bolsonaro, apesar de pressões


Decisão do presidente da Câmara reflete apoio da maioria dos partidos na Casa

Motta deve evitar pautar anistia a Bolsonaro, apesar de pressões
Mônica Bergamo

O presidente da Câmara, Hugo Motta, deve manter projeto de anistia a Bolsonaro fora da pauta.

Motta evita pautar anistia a Bolsonaro em meio a pressões

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), não deve pautar o projeto de anistia a réus do 8 de janeiro, que beneficiaria diretamente Jair Bolsonaro. A prisão do ex-presidente no sábado (22) não alterou a determinação de Motta, que tem o apoio da maioria dos partidos da Casa para manter o projeto fora da agenda.

Motta se reunirá com lideranças na manhã desta terça-feira (25) para discutir o assunto. Contudo, conversas preliminares já demonstraram que a maioria das legendas não deseja tratar desse tema, o que indica que ele permanecerá na gaveta até nova ordem. Para o presidente da Câmara, o mais adequado seria avançar com o projeto de dosimetria, que propõe a redução das penas para condenados. Essa mudança também poderia beneficiar Bolsonaro, diminuindo sua pena atual de 27 anos e 3 meses.

Entretanto, o PT e o PL, os quais têm suas próprias razões, não permitem que o projeto avance. A proposta de anistia, por enquanto, está fora de cogitação. Mesmo que fosse aprovada na Câmara, enfrentaria barreiras no Senado e, em última instância, no Supremo Tribunal Federal (STF), que teria a palavra final, tornando a anistia uma opção considerada improvável.

Essa situação só serviria para fortalecer o discurso político dos apoiadores de Bolsonaro e criaria atritos entre a Câmara e membros do STF, que não aceitariam a proposta. Por outro lado, a medida de dosimetria é vista com maior aceitação tanto por senadores quanto por magistrados.

Paulinho da Força, deputado que relata a proposta de redução de penas, inclusive mantém uma boa relação com ministros da Corte, como Alexandre de Moraes. Essa dinâmica torna a discussão sobre a dosimetria mais favorável em comparação à anistia, que é polêmica e divisiva entre os partidos.

A situação atual reflete um cenário político complexo, onde as decisões da Câmara são influenciadas por pressões internas e externas. Motta, ao resistir às pressões para pautar a anistia, demonstra uma busca por um equilíbrio que possa atender a diferentes interesses sem gerar maiores conflitos institucionais. Ao focar na dosimetria, ele tenta encontrar um meio-termo que possa ser aceito por um espectro mais amplo de parlamentares e que não enfrente resistência judicial.

É um momento decisivo para a Câmara e para o futuro político de Jair Bolsonaro, que observa de perto as movimentações em torno de sua situação legal. A decisão de Motta pode ter repercussões significativas, não apenas para o ex-presidente, mas também para o equilíbrio de forças no Congresso e as relações entre os diferentes poderes.

Conclusão

A expectativa é que as discussões na Câmara continuem, mas com um foco maior na dosimetria, enquanto a anistia a Bolsonaro permanece afastada das pautas legislativas. A pressão de aliados do ex-presidente será um fator a ser considerado, mas as evidências até agora indicam que a maioria dos partidos não está disposta a avançar com um tema tão controverso neste momento.

Fonte: redir.folha.com.br


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