Ministro do STF explica manobra de militares para manter Bolsonaro no poder após eleições de 2022

O ministro Alexandre de Moraes detalhou tentativas de cooptar o Alto Comando do Exército para um plano golpista.
Moraes revela tentativa de cooptar Alto Comando do Exército para golpe de Estado
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou que réus do núcleo operacional da trama golpista tentaram cooptar o Alto Comando do Exército para aderir ao plano de manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder após a derrota para Lula (PT) nas eleições de 2022. Essa tentativa se deu durante uma reunião dos militares com formação em Operações Especiais, chamados de “kids pretos”, no final de novembro de 2022. Na ocasião, eles aproveitaram uma confraternização do Alto Comando do Exército em Brasília para colocar em prática sua estratégia.
Na leitura de seu voto, Moraes explicou que, inicialmente, havia a intenção de cooptar as três forças armadas, mas com a percepção de que o comandante da Marinha já estava alinhado a essa possibilidade, a estratégia focou na cooptação do Alto Comando do Exército, especialmente do comandante-geral, general Freire Gomes. Moraes destacou que os réus tentaram pressionar os generais e comandantes para que estes influenciassem o comandante do Exército a apoiar suas ações golpistas.
Contexto do julgamento dos militares
A Primeira Turma do STF retomou o julgamento dos militares acusados de atuarem como o braço operacional da tentativa de golpe de Estado no final de 2022. O núcleo em questão é composto por nove militares e um policial federal, sendo que a maioria dos denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) são oficiais do Exército com formação em forças especiais. O julgamento, que tem atraído grande atenção, busca esclarecer o envolvimento desses indivíduos nas tentativas de desestabilização da democracia brasileira.
Após a apresentação de Moraes, outros ministros, como Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, também devem votar, com a expectativa de que a análise seja concluída até a manhã de quarta-feira (19). Vale lembrar que Luiz Fux, que não participa do julgamento, foi o único a votar pela absolvição dos réus na trama golpista.
Mensagens reveladoras e a estratégia golpista
No voto, Moraes apresentou mensagens dos réus para o tenente-coronel Mauro Cid, que demonstram um alinhamento desse núcleo com figuras centrais da trama golpista, incluindo Bolsonaro. Essas mensagens indicam tentativas de deslegitimar as eleições e as urnas eletrônicas, além de fomentar ações de pressão no Congresso e no STF, inclusive mencionando o uso de tropas.
Os réus julgados incluem Bernardo Romão Correa Neto (coronel da reserva), Estevam Theophilo (general da reserva), e vários outros oficiais de alta patente. Em particular, no caso do tenente-coronel Ronald Ferreira de Araújo Júnior, a PGR pediu a redução da acusação devido à falta de provas suficientes para sua implicação nos crimes, alegando que ele apenas espalhou informações falsas sobre fraudes eleitorais.
Defesa e reações
As defesas dos réus afirmam que as acusações se baseiam em indícios frágeis e desconsideram provas que poderiam levar à absolvição. Os advogados argumentam que as evidências apresentadas pela PGR não são suficientes para sustentar as acusações, e insistem que as participações de seus clientes nas reuniões golpistas foram exageradas ou mal interpretadas.
Diante desse cenário, o julgamento continua a atrair a atenção do público e dos especialistas, que observam de perto as implicações desse caso para a democracia e o estado de direito no Brasil.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Folhapress








