Promotores argumentam que tragédia foi resultado de negligências em alojamento de jovens atletas.

Ministério Público do Rio de Janeiro recorreu da absolvição dos réus no caso do incêndio que matou dez adolescentes em 2019.
Ministério Público recorre da decisão sobre incêndio no Ninho do Urubu
O Ministério Público do Rio de Janeiro recorreu da decisão que absolveu sete réus pelo incêndio que ocorreu no Ninho do Urubu, em fevereiro de 2019. A tragédia resultou na morte de dez adolescentes, todos jovens atletas do Flamengo, e deixou outros três feridos. O recurso foi assinado por promotores do Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal e da Promotoria de Justiça junto à 36ª Vara Criminal da Capital.
Os promotores alegam que o incêndio foi consequência de uma série de negligências e omissões por parte dos responsáveis pelo centro de treinamento. Segundo eles, havia uma obrigação legal de oferecer um alojamento seguro, o que não foi cumprido. A falta de alvará e as diversas notificações do Ministério Público indicam que as instalações eram clandestinas e perigosas.
Negligência e omissões apontadas
Para o Ministério Público, os responsáveis pelo Ninho do Urubu deveriam ter tomado medidas para garantir a segurança dos adolescentes, como utilizar material anti-chamas, assegurar saídas de emergência, manter os aparelhos de ar-condicionado em bom estado e ter um número apropriado de monitores. A decisão do juiz Tiago Fernandes de Barros, que absolveu os réus, foi baseada na falta de evidências que demonstrassem culpa penalmente relevante e na impossibilidade de estabelecer um nexo causal seguro entre as condutas individuais e a ignição do incêndio.
Processo judicial e depoimentos
O Ministério Público havia solicitado a condenação dos sete réus após ouvir 40 testemunhas durante um processo que se estendeu por quatro anos, desde a denúncia em janeiro de 2021. Inicialmente, onze pessoas foram denunciadas, mas algumas denúncias foram rejeitadas, enquanto outras resultaram em absolvições sumárias. O ex-presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, também foi envolvido no caso, mas seu direito à redução de pena foi reconhecido, levando à prescrição do caso.
Os réus absolvidos ocupavam cargos de responsabilidade no Ninho do Urubu, sendo responsáveis pela manutenção dos alojamentos e dos sistemas de climatização. A luta do Ministério Público para revogar a absolvição reflete a busca por justiça em um caso que chocou o país e levantou questões sobre a segurança em instalações esportivas.
Expectativas para o futuro
O recurso apresentado pelo Ministério Público agora segue para análise judicial. A decisão sobre a continuidade do processo poderá impactar não apenas os réus, mas também o Flamengo e as políticas de segurança em centros de treinamento esportivo no Brasil. A sociedade aguarda por um desfecho que possa trazer justiça para as famílias das vítimas e garantir que tragédias semelhantes não se repitam.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
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