Bioma vive sob pressão entre regeneração e desmate, mostram levantamentos

Mata Atlântica perdeu 11,5% de vegetação nos últimos 40 anos, evidenciando a pressão entre regeneração e desmatamento.
Mata Atlântica perdeu 11,5% de vegetação em 40 anos
A Mata Atlântica perdeu 2,4 milhões de hectares de florestas entre 1985 e 2024, representando uma redução de 11,5% de sua vegetação. Mesmo com a regeneração em algumas áreas, o bioma continua sob forte pressão devido à expansão da agropecuária. Hoje, apenas 31% da área original mantém vegetação natural.
O impacto da agropecuária
A lavoura de soja cresceu 343% desde 1985, sendo responsável por um quarto da produção nacional na Mata Atlântica, especialmente no Paraná. A cana de açúcar também aumentou 256%, com São Paulo concentrando quase 70% da área cultivada. Além disso, a silvicultura comercial, com eucalipto e pinus, multiplicou sua área por cinco, alcançando 4,5 milhões de hectares.
Avanços e desafios na regeneração
Entre 2005 e 2014, a regeneração superou o desmate pela primeira vez, com um ganho líquido de 200 mil hectares. No entanto, essa tendência estagnou na década seguinte. Um estudo da Fundação SOS Mata Atlântica revelou que 4,9 milhões de hectares voltaram a ser cobertos por vegetação entre 1993 e 2022, embora 22% dessas áreas tenham sido desmatadas novamente. Pequenas propriedades rurais são responsáveis por 45% da área recuperada, onde a vegetação volta de forma natural.
O papel das políticas públicas
Pesquisadores como Jean-Paul Metzger, da USP, afirmam que é essencial consolidar a regeneração da Mata Atlântica por meio de fiscalização e políticas permanentes de proteção. Propostas incluem o fortalecimento do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento da Mata Atlântica (PPCDMA) e ampliação de programas de pagamento por serviços ambientais (PSA). “A regeneração florestal é aliada tanto do clima quanto da economia rural”, conclui Metzger.








