Martín Vizcarra, ex-presidente do Peru, condenado a 14 anos por corrupção


Decisão judicial ocorre após investigações sobre subornos durante governança em Moquegua

Martín Vizcarra, ex-presidente do Peru, condenado a 14 anos por corrupção
Martín Vizcarra durante audiência judicial. Foto: Gerardo Marin/Reuters

Ex-presidente do Peru, Martín Vizcarra, é condenado a 14 anos por corrupção e subornos de empresas de construção.

Martín Vizcarra condenado a 14 anos de prisão por corrupção

Nesta quarta-feira, 26 de novembro de 2025, a Justiça do Peru anunciou a condenação do ex-presidente Martín Vizcarra a 14 anos de prisão por corrupção. A decisão é resultado de investigações que apontaram que o político recebeu subornos enquanto era governador da região de Moquegua, entre 2011 e 2014. Vizcarra, que ocupou a presidência do país de 2018 a 2020, sempre se apresentou como um defensor do combate à corrupção.

As acusações contra Vizcarra incluem o recebimento de 2,3 milhões de soles, o equivalente a aproximadamente R$ 3,65 milhões, em troca da concessão de obras públicas na sua região. O Ministério Público o vinculou a uma rede criminosa que operava no setor de construção civil. Durante a investigação, autoridades realizaram buscas em suas propriedades em 2024, indicando a gravidade das acusações.

Vizcarra, que já estava em prisão preventiva desde agosto, foi surpreendido pela decisão judicial, uma vez que, momentos antes da audiência, ele descartou a possibilidade de ser preso novamente. Ele sempre se declarou inocente e chegou a afirmar que não seria detido. Com essa condenação, o Peru agora conta com quatro ex-presidentes presos, uma situação que evidencia a crise política e a corrupção endêmica que afetou o país nos últimos anos.

O ex-presidente, que foi vice-presidente no governo de Pedro Pablo Kuczynski, ocupou a presidência após a renúncia deste em meio a um escândalo de corrupção relacionado à empreiteira brasileira Odebrecht. Kuczynski, por sua vez, também enfrentou problemas legais, incluindo três anos de prisão domiciliar.

Em 2019, durante seu mandato, Vizcarra tomou a decisão polêmica de dissolver o Congresso, convocando novas eleições legislativas. Essa ação levou à sua destituição em novembro de 2020, em meio a protestos que resultaram em mortes de manifestantes. A condenação de Vizcarra representa um dos capítulos mais recentes na luta do Peru contra a corrupção e as repercussões políticas que essa prática gera no país.

A condenação de Vizcarra é um reflexo não apenas da sua carreira política, mas também do clima de impunidade que prevaleceu durante anos no Peru. Com a prisão de Vizcarra, destaca-se a necessidade de reformas profundas no sistema político e judicial do país para restaurar a confiança da população nas instituições.

A situação atual do ex-presidente se torna um símbolo da luta contra a corrupção no Peru, que continua a enfrentar desafios significativos em sua trajetória política. A sociedade civil e as autoridades têm um papel crucial na construção de um futuro mais transparente e responsável para a política peruana.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Gerardo Marin/Reuters


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