A manifestação em Belém reuniu 70 mil pessoas e destacou a pressão por justiça climática.

O 6º dia da COP30 teve uma marcha histórica em Belém, reunindo 70 mil pessoas em defesa da justiça climática.
Marcha histórica em Belém destaca demandas por justiça climática
No dia 6 da COP30, realizado em Belém, a Marcha Global pelo Clima atraiu aproximadamente 70 mil pessoas, evidenciando a urgência de ações climáticas efetivas. Este ato foi marcado pela participação significativa de grupos indígenas, que lideraram a manifestação com faixas e performances, incluindo um simbólico “funeral dos combustíveis fósseis”. A marcha percorreu 4 km pelas ruas da capital paraense, refletindo a diversidade de vozes que clamam por justiça climática.
Resistência nas negociações sobre financiamento climático
As negociações da COP30 estão sendo impactadas pela resistência expressa a propostas de financiamento climático. O plano apresentado pelo Brasil e Azerbaijão visa a obtenção de US$ 1,3 trilhão anualmente, porém enfrenta ceticismo por parte de delegações de países como Japão e China. O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, comentou que o debate se concentra mais na legitimidade do local de discussão do que no conteúdo das propostas. Essa quantia, embora ambiciosa, é considerada uma fração mínima do que os países desenvolvidos devem em compensação por suas emissões de carbono, segundo estudo do Ipea.
A dívida climática dos países desenvolvidos
De acordo com o mesmo estudo, os países desenvolvidos acumulam uma “dívida climática” estimada em US$ 97,5 trilhões, refletindo o excedente de emissões de carbono desde 1990. Essa dívida é vista como um instrumento de justiça climática, propondo medidas que incluem a taxação de grandes fortunas e a criação de impostos globais mínimos para auxiliar na compensação de danos ambientais. O estudo destaca que, enquanto os EUA lideram essa conta, a China ainda não enfrenta condições semelhantes devido ao seu tamanho populacional.
Mobilização indígena e demandas específicas
Os povos indígenas, especialmente os do baixo Tapajós, utilizaram a plataforma da marcha para reivindicar o cancelamento de projetos que afetam seus territórios, como a hidrovia na região e a Ferrogrão. As lideranças indígenas enfatizaram que esta é a maior participação de representantes indígenas na história das COPs, ressaltando a importância de seus territórios na luta contra a crise climática. A manifestação ocorreu de forma pacífica, culminando em um evento simbólico na Aldeia Amazônica, onde o grupo se dispersou sem incidentes.
Conclusão e próximas etapas da COP30
As discussões sobre o financiamento climático e a dívida histórica permanecem no centro das atenções da COP30. A resistência de alguns países em aceitar os termos propostos destacam a complexidade das negociações, que continuam a ser um desafio nas conferências climáticas. A marcha em Belém, por sua vez, reafirma a necessidade de ações concretas e a urgência de atender às demandas sociais em um contexto de crise climática global. As próximas etapas da COP30 prometem continuar a abordar essas questões críticas, com a esperança de que os resultados possam ser mais inclusivos e efetivos para todos os envolvidos.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Governo Federal








