Análise das expectativas do encontro entre os presidentes do Brasil e dos EUA

Expectativas em torno do encontro entre Lula e Trump geram otimismo cauteloso.
Um presidente como Lula, em viés de alta nas pesquisas, não precisa calçar mocassim. Mas convém não exagerar no tamanho do salto. Discursando para uma plateia companheira, Lula soou otimista sobre os preparativos do encontro presencial que terá com Trump. Disse que não rolou apenas uma química entre eles, “pintou uma indústria petroquímica.”
Na mesma tarde de quarta-feira em que Lula destilou confiança no Rio de Janeiro, o representante comercial americano Jamieson Greer e o secretário de Tesouro Scott Bessent justificaram numa entrevista em Washington o tarifaço contra o Brasil. Alegaram afronta ao “estado de direito e aos direitos humanos”, “censura” a big techs e “detenção ilegal” de americanos no Brasil.
Relações bilaterais em foco
Nesta quinta-feira, o chanceler brasileiro Mauro Vieira se encontra com o chefe da diplomacia americana Marco Rubio. É o primeiro estágio da preparação da conversa entre Lula e Trump. A chance de melhoria das relações bilaterais é grande. Pior do que está é difícil ficar. Mas nada justifica a exacerbação do otimismo.
Erros do passado
O último político brasileiro que se entusiasmou com Trump foi Bolsonaro. Em janeiro, quando seu ídolo foi coroado pela segunda vez, Bolsonaro exultou: “Estou animado”, disse. “Não vou nem tomar mais Viagra”. Hoje, o “mito” já se deu conta de que quem pula junto com Trump dá um salto mortal.
O que Lula deve considerar
Lula olha para Trump do alto de um salto agulha. Faria um bem a si mesmo se descesse para um discreto salto Anabela. É mais compacto e seguro. Essa reflexão é essencial para que o Brasil navegue com cautela nas águas turbulentas da política internacional.








