Em discurso na Colômbia, durante a 4ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da União Europeia (UE), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o multilateralismo e criticou o que chamou de “velhas retóricas” que justificam intervenções em países. Ele expressou preocupação com a ameaça do uso da força militar na América Latina e no Caribe.
“Ameaça de uso da força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina e do Caribe. Velhas manobras retóricas são recicladas para justificar intervenções ilegais”, afirmou Lula, sem mencionar países específicos. O presidente reforçou que a região deve manter a paz, e que democracias não devem combater o crime violando o direito internacional.
A cúpula ocorre em meio a tensões na região, especialmente devido à ofensiva dos Estados Unidos contra o narcotráfico no Caribe e no Pacífico. Ações militares americanas, sob a alegação de combate ao tráfico de drogas proveniente de países como a Venezuela, já resultaram em diversas mortes.
Lula também destacou a importância da cooperação internacional e criticou a divisão na América Latina. “Vivemos de reunião e reunião repletas de ideias e iniciativas que, muitas vezes, não saem do papel”, lamentou o presidente, enfatizando a necessidade de ações concretas para enfrentar desafios como o extremismo político e o crime organizado.
Aproveitando o evento, Lula fez um apelo para que os países direcionem seus esforços para a COP30, que será realizada em Belém. Ele ressaltou a importância da conferência como uma oportunidade para a América Latina e o Caribe demonstrarem ao mundo o valor da conservação das florestas para o futuro do planeta.
Em defesa de políticas de igualdade de gênero, Lula também expressou o desejo de ver uma mulher latino-americana no comando da ONU. “É chegada a hora de ter uma latino-americana no cargo de secretária-geral da ONU”, afirmou o presidente, lembrando que mulheres representam mais da metade da população mundial.








