Líder de Camarões pode governar até os 99 anos


Paul Biya, no poder desde 1982, está prestes a confirmar seu oitavo mandato em Camarões. Com 92 anos, ele pode governar até os 99, numa eleição marcada por tensões políticas e críticas sobre sua saúde. O país enfrenta conflitos separatistas e ameaças do Boko Haram, refletindo a instabilidade de sua administração. A oposição, desafiada com candidaturas barradas, observa com preocupação o futuro político, enquanto Biya permanece uma figura controversa.

Líder de Camarões pode governar até os 99 anos
Paul Biya, líder de Camarões, durante evento de campanha. Foto: Reuters

Paul Biya, aos 92 anos, deve confirmar seu oitavo mandato em Camarões; saúde do líder é alvo de especulações.

Aos 92 anos, Paul Biya, líder de Camarões, se prepara para confirmar seu oitavo mandato neste domingo (12), em meio a especulações sobre sua saúde e um clima político tenso. A eleição, marcada para este final de semana, ocorre em um país com conflitos separatistas ativos e ameaças do Boko Haram no norte, refletindo a complexidade da situação política local.

Ambiente político conturbado

Biya, que está no poder desde 1982, enfrentou críticas crescentes sobre sua longevidade no cargo, especialmente em um país onde cerca de 40% da população é composta por jovens com menos de 14 anos. O principal rival do presidente teve sua candidatura cassada, levantando preocupações sobre a legitimidade do pleito.

Desafios à segurança

No oeste do país, separatistas anunciaram bloqueios de vias no dia da eleição, ameaçando a segurança das autoridades e das forças de segurança. Essa região tem sido um foco de tensão, exacerbada por um histórico de protestos que remontam a 2016 e 2017, e a divisão colonial entre os anglófonos e francófonos.

Críticas à administração

Biya é frequentemente criticado por sua administração considerada uma autocracia eleitoral. Em 2008, uma emenda constitucional permitiu que ele se mantivesse no poder indefinidamente, e o ambiente político em Camarões é repleto de repressão a vozes dissidentes, como demonstrado pela recente proibição de notícias sobre sua saúde, classificada como questão de segurança nacional. O futuro político de Camarões permanece incerto, com a resistência da oposição e a crescente insatisfação popular.


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