Carlos Ferreira Lopes, presidente da associação, é apontado como chefe de esquema de fraudes no INSS

Carlos Ferreira Lopes, presidente da Conafer, é considerado foragido após prisão decretada pelo STF.
Líder da Conafer é considerado foragido pela PF
A Polícia Federal considera como foragido o presidente da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais), Carlos Roberto Ferreira Lopes, apontado como líder e idealizador do esquema de fraudes da entidade no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Lopes teve a prisão preventiva decretada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), no dia 11 de novembro, e a PF tentou cumprir a decisão nesta quinta-feira (13), após a deflagração da nova fase da operação Sem Desconto.
Procurada, a assessoria da Conafer informou que não tem contato com Lopes desde a manhã de quinta-feira. A Conafer foi a segunda entidade com mais descontos em aposentadorias, totalizando R$ 484 milhões, entre 2019 e 2024, conforme levantamento da CGU (Controladoria-Geral da União).
Em entrevista exclusiva à Folha no dia 15 de outubro, Lopes negou que havia risco de ele fugir, caso o STF decretasse sua prisão. Ele argumentou que compareceu à CPI do INSS sem habeas corpus e que isso demonstrava sua disposição em cooperar com as investigações. Lopes também criticou a comissão, afirmando que era alvo de uma agenda política para desviar a atenção de outras questões.
Segundo o relatório da PF, Lopes controlava as transferências financeiras e decidia a distribuição dos recursos desviados do INSS, sendo ainda o responsável pela orientação das fraudes. Ele supostamente determinava a obtenção de assinaturas de beneficiários por meio de visitas domiciliares, induzindo idosos a assinar formulários que eram convertidos em fichas de filiação associativa falsas. O ministro Mendonça observou que Lopes seria uma espécie de “centro de gravidade da organização”, exercendo poder decisivo sobre os demais núcleos envolvidos.
Ainda conforme a investigação, o operador financeiro de Lopes seria o empresário Cícero Marcelino de Souza Santos, preso durante a operação. Ele teria realizado transferências de propinas a agentes públicos, incluindo o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, que supostamente recebia R$ 250 mil mensais da entidade. A defesa de Lopes nega as acusações.
O presidente da Conafer já havia sido preso em flagrante no final de setembro, após prestar depoimento à CPI, por falso testemunho. Naquela ocasião, o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), manifestou a intenção de solicitar ao STF a decretação da prisão preventiva de Lopes, alegando risco de fuga e ameaças a testemunhas.
Em nota divulgada na última quinta-feira, a assessoria da Conafer expressou preocupação com a operação e reiterou que todos os citados têm o direito à defesa e à preservação de sua honra até que haja uma decisão judicial condenatória definitiva. A Conafer afirmou confiar nas instituições e que está disposta a cooperar plenamente com as autoridades competentes para elucidação dos fatos e para que a verdade jurídica prevaleça.
Por fim, a entidade enfatizou que exige que a investigação ocorra com isonomia, transparência e sem espetacularização que prejudique o direito de defesa e as atividades sociais essenciais, e que continuará acompanhando os desdobramentos do caso, tomando as medidas legais necessárias para garantir a defesa de seus dirigentes.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Gabriela Biló/Folhapress








